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Ciência12 de ago. de 2026, 23:43

Carro com dois motores a hidrogênio bate recorde de velocidade em solo

O Hydromax, da fabricante JCB, atingiu 406,320 mph (cerca de 653,8 km/h) nas salinas de Bonneville, mais que dobrando o recorde anterior para veículos com motor de combustão a hidrogênio. O feito ainda depende de homologação da FIA.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

406 mph são quase 654 km/h — mais rápido do que a velocidade de cruzeiro de boa parte dos aviões comerciais, só que rodando sobre sal. Foi essa a marca que o Hydromax, streamliner construído pela fabricante britânica de máquinas pesadas JCB, cravou nas salinas de Bonneville, em Utah, no dia 11 de agosto.

O que já está confirmado

O piloto foi o comandante Andy Green, ex-piloto de caça britânico de 64 anos e já dono de recordes de velocidade em solo. Ele fez duas passagens obrigatórias em sentidos opostos: 400,623 mph na primeira e 412,135 mph na segunda, resultando numa média de 406,320 mph — o número que vira o recorde provisório para veículos de combustão a hidrogênio.

A marca mais que dobra o recorde anterior da categoria, os 185,5 mph estabelecidos pelo BMW H2R em 2004, e também supera o próprio recorde a diesel de 350,092 mph que a JCB havia cravado em 2006. Por enquanto, o resultado ainda aguarda homologação formal da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), então o "recorde mundial" segue como provisório até a confirmação oficial.

Como funciona o motor

O Hydromax usa dois motores de combustão a hidrogênio de base produtiva da JCB, juntos entregando 1.600 cavalos de potência combinados. A diferença central em relação a um carro elétrico a célula de combustível: aqui o hidrogênio é queimado dentro de motores de combustão interna adaptados, não convertido em eletricidade. O resultado prático é zero CO₂ no escapamento, mas com a lógica mecânica de um motor a combustão tradicional. Os motores são fabricados na fábrica da JCB em Foston, Derbyshire, na Inglaterra — a mesma linha de motores que a empresa já aplica em escavadeiras e outras máquinas de construção.

O que ainda é experimental

Aqui está o ponto que separa o espetáculo do produto: a JCB investiu cerca de 100 milhões de libras em seu programa de hidrogênio, e o Hydromax é a vitrine de que o motor a combustão de hidrogênio aguenta paulada em alta performance. Mas viabilidade comercial em larga escala — infraestrutura de reabastecimento, custo de produção do hidrogênio verde, durabilidade em uso industrial diário — ainda é capítulo em aberto. O recorde prova que a tecnologia funciona sob estresse extremo; não prova, por si só, que ela está pronta para substituir diesel em frotas comerciais amanhã.

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