
Carro voador: Eve, da Embraer, empurra certificação pra 2028
A fabricante de eVTOLs ligada à Embraer já fez 50 voos de teste, mas adiou de novo a meta de certificação, enquanto rivais americanas avançam em ritmos diferentes.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Pra escala da sua cidade: ainda não dá pra chamar um carro voador
A pergunta não é mais se os eVTOLs (sigla em inglês pra aeronave elétrica de decolagem e aterrissagem vertical) vão sair do papel, mas quando — e a resposta continua escorregando. A Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer dedicada a aviação urbana elétrica, empurrou de novo sua meta de certificação: depois de já ter saído de 2026 para 2027, agora o alvo é dezembro de 2028.
A empresa já completou 50 voos de teste com o protótipo em escala real do seu modelo Eve 100, realizados na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo. O processo corre em paralelo em três órgãos regulatórios: a ANAC, no Brasil, a FAA, nos Estados Unidos, e a EASA, na Europa — exigência que encarece e alonga o cronograma, mas que é o preço de entrar em mais de um mercado ao mesmo tempo.
Foto: reprodução/airway.com.br
Quem fiscaliza e quanto custa
Cada atraso tem custo direto: a Eve reportou caixa de US$ 441 milhões, montante que a companhia diz ser suficiente para sustentar a campanha de certificação até o fim. Nenhuma das três agências — ANAC, FAA ou EASA — emitiu até agora um certificado de tipo para esse tipo de aeronave em nenhuma empresa do setor, o que mostra que o entrave não é só de uma companhia, é do modelo regulatório inteiro lidando com uma categoria de veículo que não existia antes.
Quem está na frente
Nos Estados Unidos, a disputa está mais adiantada. A Joby Aviation, startup americana de táxis aéreos elétricos, está perto de 85% do processo de certificação da FAA e já tem a primeira aeronave em configuração final voando, com plano de lançar serviço comercial em Dubai ainda neste ano. A Archer Aviation, outra startup do setor, concluiu em abril a terceira de quatro fases da FAA e mira operação em Abu Dhabi também em 2026.
O serviço comercial pleno em cidades americanas como Los Angeles e Nova York só é esperado para 2027, depois da certificação de tipo. Ou seja: mesmo nos mercados mais adiantados, carro voador de uso cotidiano ainda é projeto de médio prazo — e no Brasil, com a Eve mirando 2028, a conta deve demorar ainda mais pra chegar na rua.