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Mercado19 de out. de 2026, 10:54

Carros 100% a combustão caem para 49% das vendas globais, menor nível da história

Levantamento da Mobility Global, divulgado pelo jornal japonês Nikkei, mostra que veículos exclusivamente a gasolina perderam a maioria do mercado mundial pela primeira vez, caindo de 73% em 2021 para 49% no primeiro semestre de 2026.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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49% é o número que marca a virada

Pela primeira vez na história, carros movidos exclusivamente a gasolina deixaram de ser a maioria das vendas de veículos novos no mundo. No primeiro semestre de 2026, esse tipo de motorização respondeu por 49% do mercado global, uma queda brusca frente aos 73% registrados em 2021, segundo levantamento da consultoria Mobility Global divulgado pelo jornal japonês Nikkei. Em volume, foram 20,25 milhões de unidades vendidas entre janeiro e junho, 10% menos que no mesmo período de 2025.

Quem ocupa o espaço perdido

A queda da gasolina pura não significa, porém, o fim do motor a combustão como um todo: cerca de 83% dos carros novos vendidos no mundo no período ainda têm algum tipo de motor térmico, já que os híbridos combinam propulsão elétrica com motores a combustão. Os elétricos a bateria somaram 6,87 milhões de unidades, alta de 12% em um ano, e alcançaram 17% do mercado global. Os híbridos convencionais venderam 7,27 milhões de unidades, crescimento de 10%, e também ficaram com 18% do total.

Geografia da mudança: quem lidera e quem resiste

A migração é desigual entre os mercados. Na China, as vendas de carros só a gasolina caíram 26% no período, o recuo mais acentuado entre os mercados citados. Na Europa, a queda foi de 13%, enquanto os elétricos avançaram 32% na região. No Sudeste Asiático, as vendas de elétricos a bateria saltaram 81% em um ano, o maior crescimento percentual registrado. Já nos Estados Unidos, a transição é mais lenta: a participação de carros a combustão caiu apenas de 77,6% para 76,8%, mostrando que o mercado americano segue como o mais resistente à eletrificação entre as grandes economias.

Quem ganha e quem perde

Montadoras com portfólio forte em elétricos e híbridos, especialmente as chinesas, saem na frente nessa disputa, aproveitando a queda acelerada da demanda por carros só a gasolina em seu principal mercado doméstico. Já fabricantes mais dependentes de motores a combustão pura, sobretudo nos Estados Unidos, enfrentam um ritmo de transição mais lento, mas também correm risco de ficar atrás caso a eletrificação acelere nos próximos anos como ocorreu na China e na Europa.

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