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Segurança15 de out. de 2026, 10:18

Carros conectados: quem recebe os dados que seu veículo rastreia?

Recursos como GPS, diagnóstico remoto e assistência em caso de roubo dependem da coleta constante de dados do carro. A questão é quem tem acesso a essas informações e por quanto tempo elas ficam armazenadas.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que está em jogo

Carros conectados viraram padrão nas montadoras: eles avisam sobre manutenção antes de dar defeito, ajudam a localizar o veículo em caso de roubo e permitem até travar portas pelo celular. Para isso, o carro precisa coletar dados o tempo todo. Os sistemas podem registrar localização por GPS a cada poucos segundos de uso, quilometragem, velocidade média e máxima, nível de combustível ou bateria, pressão dos pneus, estado das portas, alertas de manutenção e até o estilo de direção — acelerações, frenagens e horários de uso. Essas informações não ficam só no carro: dependendo do serviço contratado, são compartilhadas com concessionárias, prestadoras de serviço, seguradoras e outras empresas, para fins que vão da assistência emergencial ao diagnóstico remoto.

O tempo de armazenamento varia de fabricante para fabricante. A GWM mantém os dados por 20 dias; a Renault pode guardá-los por até 5 anos; já a Hyundai, no serviço Bluelink, mantém o histórico por no mínimo 6 meses após a desativação do serviço. Essa variação mostra que não existe um padrão único no setor — cada marca define suas próprias regras dentro da política de privacidade.

Foto: reprodução/ibsec.com.br

Quem é afetado

Qualquer motorista de um veículo com central multimídia conectada, aplicativo de controle remoto ou sistema de telemetria está sujeito a essa coleta — não é um recurso restrito a carros de luxo. Pesquisa da Northeastern University em parceria com a Consumer Reports, que analisou 21 veículos e 30 aplicativos, identificou comunicação de dados com terceiros e, em alguns apps, o envio de informações como número do chassi, e-mail, telefone e localização. No Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados exige que esse tratamento siga princípios de finalidade, necessidade, transparência e segurança — mas especialistas apontam que a fiscalização sobre o setor automotivo ainda é incipiente no país. Nos Estados Unidos, a pressão regulatória cresceu: em janeiro de 2026, a FTC fechou ordem final contra GM e OnStar por coletar e vender dados de geolocalização e comportamento de condução de milhões de veículos sem consentimento adequado dos motoristas.

O que fazer agora

Para quem dirige um carro conectado e quer entender e controlar o que é compartilhado, o caminho passa por:

  • Ler a política de privacidade da montadora antes de ativar serviços conectados, verificando o que é coletado e por quanto tempo fica armazenado;
  • Revisar as permissões do aplicativo do fabricante no celular, limitando acesso a localização e contatos quando não for essencial;
  • Checar as opções de gerenciamento de conectividade disponíveis no painel multimídia do veículo;
  • Desativar serviços conectados específicos que não sejam necessários, direto pelo sistema do carro;
  • Exercer os direitos garantidos pela LGPD, como solicitar acesso aos dados coletados, pedir a exclusão de informações e impedir o compartilhamento com terceiros, diretamente com a montadora.

Desativar a conta do veículo é possível, mas pode limitar recursos como rastreamento antifurto e assistência remota — uma troca que cada motorista precisa avaliar conforme sua prioridade entre conveniência e privacidade.

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