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Smart Cities16 de set. de 2026, 15:16

Carros elétricos crescem mais rápido do que os carregadores, mostra relatório

Levantamento da ChargePoint, rede americana de carregadores para veículos elétricos, aponta que o uso dos pontos de recarga cresceu bem mais que a instalação de novos carregadores em 2025.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quando uma cidade decide incentivar carro elétrico, ela também assume um compromisso silencioso: construir carregador suficiente para todo mundo que vai comprar um. Nos Estados Unidos, esse compromisso está atrasado. É o que mostra um levantamento da ChargePoint, empresa americana que opera uma das maiores redes de estações de recarga para veículos elétricos do país.

O descompasso em números

Segundo os dados da própria rede da ChargePoint, as sessões de recarga registradas em 2025 cresceram 34% em relação ao ano anterior. Só que o número de novos pontos de recarga ("ports") instalados na mesma rede cresceu apenas 16% — menos da metade do ritmo da demanda. Mesmo com 190 mil novos pontos disponibilizados no período, a utilização dos carregadores superou o crescimento da oferta em quase 20%.

Por que isso está acontecendo agora

O CEO da ChargePoint, Rick Wilmer, resume a mudança de fase do mercado: quase 60% dos 19,3 bilhões de milhas elétricas rodadas pela rede da empresa em quase 18 anos de existência aconteceram só nos últimos dois anos. Ou seja, não é mais a venda de carros elétricos novos que dita o ritmo da demanda por carregadores — é a frota total de elétricos já circulando, que só aumenta. As vendas globais de veículos elétricos subiram 20% em 2025, segundo dados do setor, o que reforça a pressão sobre uma infraestrutura que não foi dimensionada para esse volume.

O que isso significa para quem dirige

Na prática, o recado é que o gargalo tende a piorar em 2026 se o ritmo de instalação de carregadores não acelerar — o que gera mais fila, mais tempo de espera e mais incerteza para quem depende de recarga pública, especialmente em cidades densas. É o tipo de problema que qualquer gestor de mobilidade urbana deveria acompanhar de perto: de nada adianta subsidiar a compra de um elétrico se a cidade não garante onde e quando ele vai carregar. Cabe perguntar, aqui e em qualquer lugar que aposte na eletrificação da frota: quem está monitorando essa curva de oferta e demanda, e com que verba pública ou privada a lacuna vai ser fechada?

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