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Mercado26 de out. de 2026, 23:08

Carta e NewView Capital se unem para facilitar venda antecipada de ações

As duas empresas lançaram um programa conjunto para simplificar tender offers, operação que permite a funcionários de startups vender ações antes de um IPO. A aposta é destravar liquidez represada em companhias que seguem privadas por mais tempo.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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70 tender offers e US$ 3 bilhões movimentados no primeiro semestre

A Carta, plataforma americana de gestão de cap table e equity management usada por startups para controlar participações societárias, administrou mais de 70 tender offers no primeiro semestre de 2026, somando US$ 3 bilhões em volume transacionado — o melhor primeiro semestre já registrado pela empresa. É nesse contexto que a Carta anunciou parceria com a NewView Capital, fundo de venture capital especializado em operações secundárias, para tornar mais simples o processo pelo qual funcionários de startups vendem ações antecipadamente.

Como funciona a parceria

O tender offer é o mecanismo que permite a funcionários — e, com frequência, a investidores das primeiras rodadas — vender uma parte de suas ações a um investidor aprovado, por um preço fixado previamente, sem esperar um IPO ou aquisição. A combinação anunciada junta a experiência da NewView em estruturar negócios secundários com a infraestrutura de cap table da Carta, oferecendo a CEOs um fluxo único para planejar, lançar e fechar esses programas de liquidez, reduzindo a complexidade operacional que normalmente trava esse tipo de transação.

Por que agora

Um estudo conjunto das duas empresas mostra que os tender offers triplicaram entre startups de Série C em diante nos últimos três anos, ainda que apenas 44 operações tenham sido concluídas no primeiro semestre de 2026. O descompasso ilustra o problema que a parceria quer atacar: companhias estão permanecendo privadas por mais tempo, e funcionários acumulam compensação em ações sem conseguir convertê-la em dinheiro.

Ravi Viswanathan, fundador e sócio-gerente da NewView, descreve o movimento como um cenário 'ganha-ganha-ganha' para trabalhadores, empresas e investidores, e associa a liquidez antecipada à retenção de talento: 'é uma oportunidade de dizer que você também terá liquidez em sua jornada conosco'. Segundo ele, companhias devem continuar privadas por 12 a 15 anos — prazo que não deve encurtar —, o que torna a ausência de liquidez um risco de 'perda de talento de qualidade' para rivais que já são públicas.

Quem já testou o modelo

A prática não é nova entre as gigantes: OpenAI, Databricks e Anduril já recorrem a tender offers há tempos. Casos recentes citados pela reportagem mostram a dimensão que essas operações podem alcançar — a Hightouch fechou um tender offer liderado pela NewView avaliando a empresa em US$ 1,3 bilhão em 2025; a Decagon completou uma rodada secundária com valuation de US$ 4,5 bilhões; a Wayve movimentou US$ 85 milhões em ações sobre um valuation de US$ 8,5 bilhões; e a ElevenLabs realizou dois tender offers em menos de um ano, dobrando sua avaliação para US$ 22 bilhões. Para startups menores e fora do radar dos mega-unicórnios, a aposta da Carta e da NewView é baratear e padronizar um processo até aqui restrito a quem já tinha escala — e caixa — para sustentá-lo.

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