
Carteira do Google passa a digitalizar cartão físico de transporte via NFC
Nova função permite transferir um cartão físico de transporte público para o celular por aproximação, mas por enquanto só funciona com o sistema ORCA, de Seattle, nos Estados Unidos.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que muda pra quem pega ônibus e metrô
A Carteira do Google, aplicativo de pagamentos e documentos digitais do Google, ganhou uma função que permite transferir um cartão físico de transporte público para o celular usando a tecnologia NFC (comunicação por aproximação, a mesma usada em pagamentos por celular). Basta abrir o app, escolher a opção de cartão de transporte público, selecionar o sistema compatível e encostar o cartão físico no aparelho para concluir a migração — o processo é gratuito, segundo o Canaltech.
Quais cidades já têm isso — e quais não têm
Foto: reprodução/cartaometrocard.com.br
Por enquanto, a função de transferir o cartão físico está disponível apenas para o ORCA, cartão do sistema de transporte público de Seattle e da região de Puget Sound, nos Estados Unidos. Depois da transferência, o cartão físico é desativado, e o saldo (e eventuais passes já comprados) migra automaticamente para o novo cartão digital, que recebe um número diferente do original.
No Brasil, a Carteira do Google já permite comprar passagens avulsas do Metrô e da CPTM de São Paulo e também opera com o Metrocard, sistema de bilhetagem dos ônibus da Região Metropolitana de Curitiba — mas, nesses casos, o app funciona como meio de compra de créditos e emissão de QR Code, não como conversão de um cartão físico já existente em versão digital. É uma diferença importante: uma coisa é comprar passagem pelo celular, outra é pegar o cartão de plástico que a pessoa já tem na carteira e "mudar" ele para dentro do aplicativo.
As perguntas que ficam
Com cidades brasileiras somando sistemas cada vez mais variados de bilhetagem eletrônica — cada uma com seu próprio cartão, sua própria empresa gestora e suas próprias regras de recarga —, a chegada de uma função de digitalização direta por NFC levanta perguntas que o anúncio do Google, por ora, não responde: quando (se é que vai acontecer) a função chega a sistemas como o Bilhete Único de São Paulo ou o RioCard? Quem paga a conta da integração entre a gestora do transporte local e a plataforma do Google — o poder público, a empresa concessionária ou o próprio usuário? E quem fiscaliza se a migração de saldo entre cartão físico e digital acontece sem perdas para o passageiro? Até o momento, nenhum órgão de transporte brasileiro anunciou parceria para o recurso.