
Casa Branca chama Truth Social de rede social 'mais poderosa e popular do mundo'
Porta-voz do governo Trump nos Estados Unidos afirmou que a Truth Social é a plataforma mais forte do planeta. Dados de tráfego e de usuários mostram outro cenário.
Por Marcos Silva · Repórter de plantão
O que a Casa Branca disse
O porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, declarou ao jornal The New York Times que a Truth Social é "a plataforma de mídia social mais poderosa e popular do mundo". A Truth Social é a rede social fundada em 2022 por Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, depois de ele ser banido do Twitter (hoje X) e do Facebook após o ataque ao Capitólio em janeiro de 2021.
Segundo Ingle, a plataforma permite que Trump "se comunique diretamente com o povo americano e o mundo", sem a interferência da "mídia enviesada". A declaração foi divulgada nesta semana e repercutida pelo site The Verge.
Os números dizem outra coisa
Dados de audiência citados pelo New York Times, com base na Similarweb, mostram trajetória oposta à da declaração oficial. O tráfego da Truth Social caiu 36% em julho na comparação anual. A média de visitantes mensais recuou de 28 milhões (entre janeiro e julho de 2025) para 25 milhões no mesmo período de 2026.
A distância para as maiores redes do mundo também é grande. Segundo levantamento do Search Engine Land citado nas reportagens, YouTube soma 2,65 bilhões de usuários mensais, Facebook tem 2,39 bilhões, TikTok chega a 2,21 bilhões e Instagram soma 1,99 bilhão. X, antigo Twitter, tem 450 milhões. A Truth Social não aparece entre as dez maiores plataformas do mundo em nenhum desses rankings.
Assinatura de US$ 100 mil por mês
A Truth Social é operada pela Trump Media & Technology Group, empresa de capital aberto cujo maior acionista é o próprio Trump. Em meio à queda de tráfego, a empresa lançou uma assinatura de US$ 100 mil por mês que dá acesso antecipado às publicações do presidente.
A Casa Branca não citou nenhum dado de audiência para sustentar a afirmação de que a rede é a mais popular do mundo. A discrepância entre o discurso oficial e os números de mercado é o centro da repercussão do caso.