
Casa Branca copia Tetris e Flappy Bird em jogos e Tetris Company reage
O site oficial da Casa Branca lançou um "arcade" com cinco jogos que imitam mecânicas de clássicos como Tetris, Flappy Bird e Snake para promover pautas políticas de Trump. A Tetris Company negou envolvimento e disse levar infração de copyright "muito a sério".
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Um arcade oficial do governo dos EUA
A Casa Branca lançou nesta semana o site Arcade.gov, uma coleção de cinco jogos em estilo retrô que replicam mecânicas de títulos clássicos para promover pautas da administração Trump. Os jogos são "Build the Wall", "Flappy Bill", "Rio Run", "Supply Line" e "Trump Savings Tycoon".
"Build the Wall" copia a mecânica de encaixar blocos que caem, marca registrada de Tetris — aqui, o objetivo é impedir uma "invasão zumbi" na fronteira sul. "Flappy Bill" reproduz a jogabilidade do viral Flappy Bird, com uma águia carregando um projeto de lei sobrevoando obstáculos. Já "Rio Run" usa a estrutura do clássico Snake para uma perseguição na fronteira. Posts promocionais do arcade também imitaram as telas de carregamento de Xbox, PlayStation e Nintendo, e transformaram o logo da Sega em "MAGA".
Tetris Company se manifesta
A Tetris Company — empresa americana que administra os direitos da marca Tetris globalmente, mesmo o jogo tendo origem soviética nos anos 1980 — publicou uma nota nas redes sociais se distanciando do projeto. "A Tetris Company não esteve envolvida na criação de 'Build the Wall'. Levamos infração de copyright muito a sério", disse a empresa, segundo reportagem do The Verge e outros veículos. Em outro trecho, a empresa criticou o tom do jogo: "Na Tetris, acreditamos no poder da conexão e em unir pessoas, não dividi-las."
Apesar do tom firme, a Tetris Company não confirmou à imprensa se pretende tomar alguma medida legal contra o governo americano.
O que diz a lei sobre copiar mecânicas de jogos
O caso reacende uma discussão recorrente na indústria: mecânicas de jogo, isoladamente, geralmente não são protegidas por copyright — apenas a expressão específica (visual, código, assets) é. Como os jogos do Arcade.gov usam artes e nomes diferentes dos originais, e o site do governo não vende nem monetiza diretamente o conteúdo, especialistas ouvidos pela imprensa americana apontam que a defesa mais provável em uma eventual disputa seria alegar uso não comercial, o que pode se enquadrar em fair use dentro da lei dos EUA.
Ainda assim, o episódio expõe como até instituições públicas recorrem a fórmulas de jogos consagrados sem autorização, e como detentoras de marcas registradas — de Tetris a potencialmente Nintendo, Microsoft e Sega, cujos logos também foram parodiados — podem ser forçadas a se posicionar publicamente para não parecerem associadas a mensagens polêmicas.