
Casa Branca cria novas regras de segurança para IA e isenta código aberto
Governo Trump apresentou a empresas de IA um framework que exige avaliação voluntária de segurança apenas para modelos proprietários de ponta em cibersegurança, deixando de fora sistemas de código aberto, incluindo os de rivais chineses.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Governo Trump propõe avaliação voluntária apenas para modelos fechados
A administração do presidente Donald Trump apresentou a executivos de empresas de inteligência artificial uma nova estrutura de supervisão que isenta modelos de código aberto (open weight) de avaliações governamentais de segurança. A proposta foi discutida em uma reunião fechada na Casa Branca, na terça-feira, segundo informou o Olhar Digital com base em reportagem do Washington Post.
Pelo framework, apenas fabricantes de modelos proprietários e de código fechado que demonstrem capacidades de ponta em cibersegurança e invasão de sistemas, com base em benchmarks de desempenho, precisariam submeter voluntariamente esses modelos a testes do governo antes do lançamento público. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google participariam dessa revisão, enquanto Nvidia e Meta ficariam de fora, ao menos nesta etapa inicial.
Modelos chineses também ficam fora da checagem
Segundo reportagem da Bloomberg, a Casa Branca informou às principais empresas americanas de IA que modelos de código aberto desenvolvidos por rivais chineses — caso de Alibaba, DeepSeek e Moonshot AI — também não serão submetidos aos testes governamentais previstos na estrutura. A decisão de poupar os modelos de peso aberto, que permitem download e customização por usuários, busca equilibrar supervisão de segurança com a manutenção da competitividade americana diante da concorrência chinesa no setor.
O novo framework decorre de uma ordem executiva assinada por Trump em junho de 2026. A porta-voz da Casa Branca, Liz Huston, afirmou que empresas que optarem por colaborar com o processo de avaliação "estão colocando a inovação, a segurança e a defesa cibernética dos EUA em primeiro lugar", segundo o Olhar Digital.
Críticas de especialistas em política de IA
Nem todos veem a proposta com bons olhos. Lindsay Gorman, ex-conselheira de tecnologia do governo Biden, questionou se a estrutura aborda de forma adequada os limites necessários para sistemas avançados de IA. Já Brad Carson, da organização Americans for Responsible Innovation, criticou o sigilo em torno da elaboração das regras, apontando falta de transparência no processo conduzido pela Casa Branca.
A reportagem da Axios também confirma que o framework do governo Trump exclui modelos abertos da exigência de revisão, reforçando a estratégia da Casa Branca de concentrar o escrutínio regulatório nos sistemas de IA mais avançados e de código fechado desenvolvidos por empresas americanas.
Atualização (05/08, 12:46): Atualização (05/08/2026): Uma reportagem da Axios, repercutida pelo site The Verge, traz um novo detalhe sobre o framework de segurança de IA da Casa Branca: além de isentar modelos de código aberto das regras, o governo Trump também vai excluí-los dos testes de segurança previstos no programa. Segundo a apuração, o framework define "modelo de fronteira coberto" apenas como aquele de código fechado, com capacidades de ponta e risco à segurança nacional — o que deixa os modelos abertos de fora tanto das obrigações quanto da avaliação governamental.
A reportagem também aponta que o texto do framework não será tornado público pela Casa Branca, e que não há definição clara do que conta como capacidade "de ponta" ou "risco à segurança nacional", tornando os critérios de aplicação vagos. O programa continua sendo voluntário: conforme a ordem executiva de Trump que o originou, ele não pode se transformar em exigência obrigatória de licenciamento ou aprovação prévia para o desenvolvimento ou lançamento de novos modelos de IA.
O framework foi discutido em reunião na Casa Branca em 4 de agosto de 2026 com representantes de empresas como Meta, Google, OpenAI e Anthropic, entre outras.