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Segurança09 de out. de 2026, 10:54

Caso Cornell mostra como tentativas de doxxing atingem pessoas erradas

Um processo judicial envolvendo acusação de estupro coletivo na Universidade Cornell, nos EUA, gerou uma onda de tentativas de expor a identidade da autora anônima do processo. No caminho, vigilantes online acabaram identificando erroneamente outras pessoas, incluindo mulheres sem qualquer ligação com o caso.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Uma ex-aluna da Universidade Cornell, uma das instituições de elite da Ivy League nos EUA, entrou com um processo civil contra a universidade e contra um grupo de estudantes, alegando falhas na apuração de um caso de violência sexual. Por determinação judicial, a autora do processo é identificada apenas como "Jane Doe" — um pseudônimo usado em ações judiciais nos EUA para proteger a identidade de vítimas.

Com a repercussão do caso, grupos de internautas tentaram descobrir quem era essa pessoa. Segundo os advogados dela, houve múltiplas tentativas de doxxing — prática de reunir e divulgar dados pessoais de alguém sem consentimento, geralmente para expor, intimidar ou assediar. Essas tentativas incluíram cruzamento de informações públicas, especulação em redes sociais e comunidades on-line, e compartilhamento de nomes e fotos como se fossem da autora do processo.

O resultado, segundo os advogados, foi que ao menos três mulheres sem nenhuma relação com o caso foram erroneamente apontadas como sendo a autora do processo, passando a receber mensagens hostis. Um erro em um documento judicial também fez com que o endereço de uma família sem qualquer vínculo com a universidade fosse exposto publicamente, gerando ameaças contra ela.

Em reação, uma campanha de solidariedade tomou força em redes como TikTok e Instagram, com usuárias publicando frases como "eu sou Jane Doe" para dificultar que buscas on-line apontassem para uma pessoa específica.

Quem é afetado

O episódio mostra que o doxxing raramente atinge só o alvo original. Informações incorretas se espalham rápido, e qualquer pessoa que compartilhe nome, foto ou características parecidas com a de alguém investigado pode ser confundida e exposta — mesmo sem nenhuma ligação com o fato.

O que fazer agora

Se você for alvo de doxxing, ou teme se tornar um alvo por coincidência de nome, foto ou dados:

  • Revise configurações de privacidade em redes sociais, deixando perfis fechados e limitando quem vê fotos, localização e lista de amigos.
  • Pesquise seu próprio nome periodicamente para saber o que está disponível publicamente sobre você.
  • Denuncie diretamente nas plataformas: Instagram, TikTok, X e Facebook têm formulários específicos para denunciar exposição de dados pessoais e assédio.
  • Peça remoção de dados em sites de busca de pessoas e agregadores de dados, que costumam ter formulários de "opt-out".
  • Documente tudo: salve prints de ameaças ou identificação incorreta antes que o conteúdo seja apagado.
  • Procure apoio jurídico se houver ameaças ou dados sensíveis expostos; no Brasil, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) também permite solicitar remoção de informações pessoais tratadas sem base legal.
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