
Caterpillar usa décadas de mineração autônoma como manual para IA corporativa
A fabricante de máquinas pesadas vai investir US$ 100 milhões para treinar 118 mil funcionários em IA, autonomia e robótica. A base: 1,6 milhão de ativos conectados e 16 petabytes de dados coletados em frotas de mineração que já rodaram mais de 385 milhões de quilômetros sem acidente registrado.
Por Marina Sato · Repórter de IA
Três décadas de mineração viram base de dados para IA
A Caterpillar, fabricante americana de máquinas pesadas de mineração e construção, está usando a própria experiência em automação de minas para guiar a implantação de inteligência artificial no resto da empresa. A CTO Jaime Mineart resume o raciocínio: "agora podemos levar todo aquele aprendizado da mineração para ambientes muito mais dinâmicos", disse à TechCrunch.
O histórico não é pequeno. Segundo a CTO, a frota autônoma de mineração da empresa já moveu mais de 11 bilhões de toneladas de material e rodou mais de 385 milhões de quilômetros sem nenhum acidente registrado — mais que o dobro da quilometragem autônoma somada de toda a indústria automotiva, segundo a companhia.
De caminhão autônomo a assistente de voz
Esse know-how em caminhões de transporte autônomos, perfuratrizes e carregadeiras subterrâneas agora alimenta ferramentas voltadas a funcionários comuns. O Cat AI Assistant permite que técnicos de campo usem comandos de voz para consultar procedimentos de reparo e identificar peças, puxando dados da plataforma unificada Helios.
A escala de dados por trás disso é grande: 1,6 milhão de ativos conectados globalmente e mais de 16 petabytes de dados estruturados, segundo a empresa. No trimestre mais recente, a divisão de geração de energia da Caterpillar teve US$ 3,1 bilhões em vendas, alta de 72%, dentro de uma receita trimestral total de US$ 20,5 bilhões.
Parceria com a Nvidia e aposta em treinamento
A Caterpillar ampliou a parceria com a Nvidia para levar a plataforma de IA de borda Jetson Thor a máquinas de construção e mineração além dos caminhões de transporte, estendendo capacidade autônoma a tratores e escavadeiras. A empresa também fechou acordo com a Carmeuse para usar o sistema Command em uma pedreira em Michigan e renovou contrato com a Fortescue para manter a tecnologia em três operações de mineração na Austrália Ocidental.
Para sustentar essa expansão, a Caterpillar planeja gastar US$ 100 milhões nos próximos cinco anos treinando 118 mil funcionários em IA, autonomia e robótica.
Fica em aberto quanto desse orçamento já foi desembolsado, quais cargos específicos serão priorizados no treinamento e se a meta de zero acidentes da mineração autônoma se repete fora dos canteiros controlados de minas e pedreiras.