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Smart Cities13 de out. de 2026, 01:12

Caucus bipartidário dos EUA propõe 60 medidas para destravar moradia

O Build America Caucus, grupo bipartidário do Congresso americano, quer condicionar apoio federal a mudanças locais de zoneamento, incluindo áreas de aprovação automática para construção. A proposta promete acelerar empréstimos e baratear a moradia, mas deixa dúvidas sobre custo e fiscalização.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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Quem precisa de casa entra na conta?

Para quem está há anos na fila por um financiamento ou pagando aluguel que consome metade da renda, pouco importa se a solução vem de democratas ou republicanos. É esse público que o Build America Caucus, grupo bipartidário do Congresso dos EUA liderado pelos deputados Josh Harder (democrata da Califórnia) e Celeste Maloy (republicana de Utah), diz ter como prioridade. O grupo lançou a "Build More Agenda", pacote com mais de 60 propostas de política pública para acelerar a construção de moradias no país.

O que o pacote propõe

Foto: reprodução/housingwire.com

Entre os destaques está a criação de "right-to-build zones" (zonas de construção automática), áreas em que projetos habitacionais que cumprem critérios técnicos pré-definidos ganhariam aprovação por direito, sem passar pelo crivo discricionário de conselhos municipais de zoneamento. A troca proposta é direta: localidades que adotarem essas zonas receberiam mais apoio federal.

O pacote também quer agilizar o financiamento multifamiliar federal. Hoje, segundo o caucus, empréstimos via FHA (a agência federal de seguro habitacional dos EUA) podem levar um ano para fechar, contra dois ou três meses do crédito convencional privado — uma defasagem que trava empreendimentos de grande porte. Outras frentes incluem alívio tarifário para materiais de construção, liberação de terrenos públicos para moradia e incentivo a desenvolvimento perto de transporte público.

O espelho brasileiro

A lógica de condicionar recursos federais a reformas locais de zoneamento é familiar para quem acompanha o impasse habitacional nas grandes cidades brasileiras. Aqui, outorga onerosa, planos diretores restritivos e burocracia de licenciamento também são apontados como freios à produção de moradia popular, enquanto programas como o Minha Casa Minha Vida dependem de articulação entre União, estados e municípios nem sempre alinhada.

Quanto custa e quem fiscaliza?

Fica a pergunta que interessa a qualquer cidadão antes de aplaudir o anúncio: quanto vai custar esse pacote aos cofres públicos americanos, e quem vai acompanhar se as tais zonas de construção automática realmente aceleram obras sem abrir brecha para projetos malfeitos ou especulação imobiliária? O material consultado não detalha orçamento nem mecanismo de fiscalização das 60 medidas — pontos que tendem a definir se a agenda vira lei ou fica só no papel, como tantas propostas bipartidárias de Washington.

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