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Ciência15 de set. de 2026, 15:50

Célula solar chinesa gera eletricidade submersa a 10 metros no mar

Pesquisadores ajustaram perovskitas para captar luz azul-verde e mantiveram 96% de eficiência após 300 dias guardadas; meta é alimentar sensores no fundo do oceano.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: pouca energia, mas onde nenhuma chegava

Uma equipe de pesquisadores chineses mergulhou painéis solares de perovskita a 10 metros de profundidade, nas águas das ilhas Weizhou, no Mar da China Meridional, e conseguiu gerar 324 miliwatts-hora de eletricidade em duas horas de exposição à luz debaixo d'água. É pouca energia — bem menos do que uma pilha comum guarda —, mas suficiente para carregar baterias de lítio pequenas e acender LEDs, e o ponto é justamente esse: gerar energia onde, até agora, nenhuma célula solar sobrevivia por muito tempo.

O que é confirmado e o que ainda é projeção

O truque não está em usar perovskitas — material já conhecido por ser mais barato e eficiente que o silício em testes de laboratório —, mas em ajustar suas propriedades ópticas para captar a luz azul-verde, a única faixa do espectro que consegue penetrar a água do mar até essa profundidade. Isso está testado e publicado.

Já a durabilidade de longo prazo é projeção: testes acelerados de envelhecimento sugerem uma vida útil de cerca de 5,5 anos submersas a 25°C e 10 metros de profundidade. Em testes de armazenamento, as células retiveram 96% da eficiência original depois de 300 dias guardadas — esse número é medido, não estimado.

Pra que serve isso

O estudo, publicado na revista científica Joule sob o título "Submerged solar harvesting with wide-band-gap perovskites for autonomous underwater energy systems", aponta como aplicação mais imediata a alimentação de sensores, câmeras e sistemas de comunicação submersos — equipamentos hoje limitados por baterias que precisam ser trocadas ou recarregadas manualmente, um problema caro e logisticamente complicado em monitoramento de longo prazo no fundo do mar.

O que falta responder: o estudo testou profundidade fixa de 10 metros; não há dados publicados sobre desempenho em águas mais profundas, nem sobre o custo de produção em escala dessas células adaptadas.

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