
Celulares Android baratos chegam ao Brasil com vírus já de fábrica
A Bitdefender identificou o malware Midnight Mimosa pré-instalado no firmware de celulares Android de baixo custo em mais de 150 países, com o Brasil entre os mais afetados. Entenda o que o vírus faz e como se proteger na hora de comprar um aparelho.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A Bitdefender, empresa de cibersegurança conhecida por seus antivírus, identificou um malware batizado de Midnight Mimosa embutido diretamente no firmware de celulares Android baratos — ou seja, o aparelho já sai de fábrica contaminado, antes mesmo de ser ligado pela primeira vez. A descoberta foi divulgada em 8 de outubro de 2026 e aponta detecções em mais de 150 países. O Brasil aparece na 7ª posição entre os países com mais registros do malware, atrás de México, França, Itália, Estados Unidos e Alemanha.
O vírus foi encontrado em dispositivos como Doogee S200 X e Cubot KINGKONG X, além de aparelhos falsificados que usam nomes de linhas famosas, como Galaxy S25 Ultra, Galaxy S24 Ultra e iPhone 17 Pro Max, mesmo sem relação com Samsung ou Apple. Em comum, esses modelos usam processadores MediaTek. Por estar no firmware — a camada mais profunda do sistema —, o malware roda com privilégios elevados e é difícil de detectar ou remover.
Foto: reprodução/bitdefender.com
Quem é afetado
Estão no radar principalmente compradores de celulares de entrada, vendidos por marcas pouco conhecidas ou por canais informais, muitas vezes mais baratos que os concorrentes de grandes fabricantes. Uma vez infectado, o aparelho pode instalar e remover aplicativos sem autorização, exibir anúncios ocultos para gerar fraude publicitária, transformar o celular em servidor proxy residencial (usado para mascarar outras atividades maliciosas na rede) e até desativar temporariamente a Play Store para instalar softwares sem ser bloqueado pelo Google Play Protect. A Bitdefender já mapeou ao menos 32 aplicativos maliciosos ligados à campanha, incluindo apps de previsão do tempo, gerenciadores de arquivos e bloqueadores de aplicativos.
O que fazer agora
Como o malware vem de fábrica, não é algo que se resolve com um antivírus comum — a limpeza completa normalmente exige atualização de firmware ou procedimentos técnicos avançados via ADB (Android Debug Bridge), inviáveis para a maioria dos usuários. Por isso, prevenção é a melhor saída:
- Evite comprar celulares de marcas desconhecidas ou com preços muito abaixo do mercado, especialmente em canais informais;
- Desconfie de aparelhos vendidos com nomes de linhas famosas (como Galaxy ou iPhone) por valores incompatíveis — pode ser clone com malware embutido;
- Antes de comprar, pesquise o modelo exato e verifique se é um dispositivo reconhecido oficialmente pelo fabricante;
- Mantenha o sistema sempre atualizado, já que atualizações de segurança podem corrigir brechas exploradas pelo malware;
- Fique atento a sinais como aplicativos que reaparecem sozinhos após serem desinstalados, anúncios em excesso ou lentidão incomum — e procure o suporte do fabricante caso identifique esse comportamento.