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Ciência15 de set. de 2026, 15:50

Centro-norte da Amazônia tem o maior salto de calor extremo, aponta estudo

Levantamento de 43 anos mostra que o centro-norte da Amazônia, região mais preservada, tem o crescimento mais rápido de eventos climáticos extremos da bacia.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: uma área do tamanho do Chile aquecendo quatro vezes mais rápido que a média

Mais de 700 mil km² no centro-norte da Amazônia — área equivalente a quase todo o território do Chile — registraram aumento de pelo menos 0,75°C por década nas temperaturas extremas da estação seca desde 1981. Isso é quase quatro vezes mais rápido que o ritmo de aquecimento da temperatura média anual da floresta, de cerca de 0,21°C por década, próximo da média global.

O que está confirmado

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

O levantamento, publicado na revista científica Communications Earth & Environment e conduzido pela Lancaster University, no Reino Unido, em parceria com a organização ambiental WWF UK, reuniu mais de 50 cientistas — entre eles pesquisadores brasileiros — e cobriu o período de 1981 a 2023. A metodologia dividiu a bacia amazônica em células de 11 km, cruzando dados de satélite e estações meteorológicas de temperatura e disponibilidade de água.

O resultado inverte uma expectativa comum: a região mais afetada não é o "arco do desmatamento", no sul da Amazônia, historicamente associado a incêndios e perda de floresta, mas sim o centro-norte — área de maior cobertura florestal preservada e onde ficam diversos territórios indígenas. Ao todo, a região acumulou mais de 3,22°C de aquecimento nos extremos de calor desde o início da série histórica.

O que ainda é hipótese

Os pesquisadores apontam o fenômeno como um alerta, mas não uma sentença: o estudo mede tendência histórica, não prevê com precisão o que acontece daqui pra frente. A preocupação citada pelos cientistas é o risco de um efeito amplificador com a chegada do El Niño esperado para 2026, que historicamente já reduz chuvas e eleva temperaturas na região — o que poderia empurrar o centro-norte amazônico para um patamar de estresse hídrico inédito, mesmo sendo a área mais preservada da floresta. Ainda não há um modelo publicado que quantifique esse efeito combinado.

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