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Games04 de set. de 2026, 09:34

CEO da Epic diz que games vivem pior crise desde o crash de 1983

Tim Sweeney, fundador e CEO da Epic Games, afirmou à revista EDGE que a indústria enfrenta uma combinação de custos disparados e escassez de componentes puxada pela IA. Para ele, a turbulência pode durar até três anos.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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Sweeney compara momento atual ao crash de 1983

Tim Sweeney, CEO da Epic Games (dona da Unreal Engine e de Fortnite), não poupou palavras em entrevista à revista britânica EDGE: para ele, a indústria de games vive sua pior crise desde o crash de 1983, o colapso que quase varreu o mercado de videogames dos Estados Unidos há mais de quatro décadas. Ele chamou o momento atual de "disrupção grave e inesperada" e avisou que a bagunça no fornecimento de componentes pode se arrastar por até três anos.

Quem joga sente isso direto no bolso, e é aí que a fala de Sweeney interessa ao consumidor. Ele aponta dois motivos combinados: o custo de fazer um jogo AAA disparou e a indústria de inteligência artificial está brigando pelos mesmos componentes de hardware usados em games — e ganhando, porque tem mais dinheiro para pagar por eles.

Foto: reprodução/aroged.com

Da produção artesanal ao orçamento bilionário

Os números citados por Sweeney (e reforçados por outras fontes do setor) mostram a escalada: um jogo AAA custava cerca de US$ 1 milhão para ser feito nos anos 1990, saltou para US$ 10 milhões em 2005, chegou a US$ 100 milhões em 2015 e hoje fica entre US$ 250 milhões e US$ 400 milhões para um blockbuster. Raph Koster, CEO da Playable Worlds (estúdio de jogos fundado por ex-executivo da Sony Online Entertainment), documentou um padrão de multiplicação por dez a cada década desde 2005.

Esse custo turbinado é repassado ao jogador: o preço médio de um jogo AAA subiu de US$ 60 em 2020 para US$ 70 e, em 2025, já bateu os US$ 80. Some a isso o encarecimento de memória RAM e armazenamento, que segundo Sweeney quadruplicou de preço, e dá para entender por que estúdios estão espremendo margem — e projetos — para fechar a conta.

Efeito colateral: demissões

A crise não é só teórica. Analistas do setor, como Amir Satvat, já associam o aperto de recursos e o avanço de ferramentas de IA a ondas de demissões em massa que atingiram desenvolvedoras ao longo dos últimos anos, especialmente na América do Norte e na Europa. Ou seja: quem sofre primeiro não é só o bolso de quem compra o jogo, mas também quem trabalha para fazê-lo.

O recado de Sweeney serve como alerta para o consumidor brasileiro também: se os componentes continuam caros e a IA segue consumindo capacidade fabril que antes ia para games, é provável que os preços por aqui sigam subindo — e que menos estúdios sobrevivam para lançar os próximos títulos.

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