
CEO da Factory acusa conselheiro de espionagem para rival Cognition
Matan Grinberg, CEO da Factory, demitiu o investidor e conselheiro Chris Degnan após acusá-lo de manter conversas confidenciais com a Cognition — que anunciou Degnan como CRO menos de uma hora depois.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
Demissão seguida de contratação em menos de uma hora
Matan Grinberg, CEO e cofundador da Factory — startup de São Francisco que desenvolve agentes de IA para executar tarefas de programação de forma autônoma — anunciou nesta quarta-feira (30) que demitiu Chris Degnan de seu cargo de conselheiro, acusando-o de conduta antiética envolvendo a Cognition, criadora do agente de codificação autônomo Devin e principal concorrente da Factory. O desfecho foi rápido: cerca de 50 minutos após o anúncio da demissão, a própria Cognition revelou em suas redes sociais que Degnan assumiria o cargo de chief revenue officer da empresa.
A acusação
Segundo Grinberg, Degnan — ex-primeiro vendedor e depois CRO da Snowflake por mais de uma década, responsável por mais de US$ 3 bilhões em receita anual recorrente na empresa — vinha atuando como conselheiro da Factory havia mais de um ano, com acesso a informações confidenciais de nível de conselho. Em publicação no X, o CEO afirmou que, semanas antes da saída, Degnan já mantinha conversas com executivos da Cognition enquanto participava das reuniões de conselho da Factory. Grinberg relata que Degnan inicialmente minimizou o contato, chamando-o de conversa "casual" e alegando estar "muito preguiçoso" para trabalhar em um concorrente — até revelar, na segunda-feira, que negociava efetivamente sua contratação.
A defesa de Degnan
Degnan nega ter compartilhado qualquer informação proprietária da Factory e contesta a versão de que foi demitido, afirmando ter renunciado voluntariamente ao cargo de conselheiro na segunda-feira, antes de aceitar a proposta da Cognition. Ele também diz ter recusado uma oferta de cargo efetivo na própria Factory antes de fechar com a rival.
Quem ganha e quem perde
O episódio expõe uma fragilidade estrutural do mercado de agentes de IA para engenharia de software: fundos de venture capital investem simultaneamente em startups concorrentes, e a Khosla Ventures é acionista de ambas as empresas. O fundador Vinod Khosla saiu em defesa de Degnan, o que expõe o investidor a um conflito de interesses público. A Factory, avaliada em US$ 5 bilhões após captar US$ 200 milhões neste mês, tem clientes como Nvidia, Blackstone e Adobe; já a Cognition, avaliada em US$ 48 bilhões após uma rodada de US$ 2 bilhões em setembro, atende Mercedes-Benz, NASA e Goldman Sachs. Para clientes e investidores de ambas, o caso levanta dúvidas sobre governança e confidencialidade em conselhos compartilhados — um risco reputacional que pesa mais sobre a Cognition, ao contratar publicamente a figura no centro da denúncia.