CEO da FiRe detalha bastidores da negociação com a Valve para o Major na Argentina
Rodrigo Figueroa, da organizadora argentina FiReSPORTS, conta como fechou com a Valve o primeiro Major de CS2 na América do Sul desde 2022, defende os preços dos ingressos e destaca o apoio do governo de Buenos Aires.
Por Larissa Kimura · Repórter de e-sports
Buenos Aires vai ter o Major mais barato da história, segundo organizador
Se você é brasileiro e já pensa em atravessar a fronteira para ver CS2 de pertinho em 2027, a notícia da vez interessa direto no bolso. Rodrigo Figueroa, CEO da FiReSPORTS — organizadora argentina que vai sediar o primeiro Major de Counter-Strike 2 da América do Sul desde o IEM Rio de 2022 —, abriu os bastidores da negociação com a Valve, a desenvolvedora de CS2, e falou sobre vendas de ingresso, reclamação de torcedor e apoio do governo de Buenos Aires, em entrevista reproduzida pelo Dust2 Brasil.
Como a negociação com a Valve começou
Para quem está chegando agora nesse assunto: a conversa não nasceu ontem. Segundo Figueroa, a Valve mandou o primeiro sinal em 2022, sugerindo que a Argentina poderia sediar um Major. Os contatos principais do lado da desenvolvedora foram Brian Levinthal, que atua com a empresa desde 2011 e passou pela era do CS:GO, e Ido Magal, veterano que está na Valve desde 1999 e ajudou a criar as texturas do CS original. A FiReSPORTS participou como observadora de outros Majors em 2025 e 2026 para se preparar, até a confirmação oficial sair durante o Major de Austin, em 9 de junho de 2025. Na reta final, a organizadora teve que reduzir um documento de proposta de 125 para 25 páginas, a pedido da própria Valve, e apostou em um evento no metrô de Buenos Aires como diferencial para convencer a empresa.
Ingresso caro? Não segundo o CEO
Aqui está o ponto que mais mexe com o torcedor: a Usina del Arte, sede das fases iniciais, vai receber 14 mil pessoas mais convidados, totalizando 15 mil lugares. Até agora, 60% da capacidade para os quatro dias completos já foi vendida. E o valor do ingresso mais caro — para os quatro dias — é de US$ 700, bem abaixo dos US$ 1.200 cobrados em Majors recentes na Europa. Figueroa defende que são "os valores mais baratos de toda a história" da competição.
Mas teve climão. Parte da torcida reclamou de uma diferença entre o preço da pré-venda exclusiva para argentinos e o valor final, que subiu um pouco. O CEO reconheceu a confusão na comunicação, mas não poupou a defesa: "Vão criticar sempre, se fosse de graça... eles iam criticar." Prato cheio para quem acompanha discussão de preço de ingresso de evento grande, seja de esports ou de futebol.
O papel do governo de Buenos Aires
Outro fator que destravou o projeto foi o apoio político. O prefeito Jorge Macri, eleito em 2023 e cujo filho é fã de CS, ajudou a liberar a autorização para o evento no metrô e cedeu de graça o espaço da Usina del Arte, com três semanas de prazo para montagem — segundo a fonte, o governo local vê investimento em esports como estratégico para o futuro da cidade.
O que vem depois do Major
Figueroa já projeta o pós-evento: um torneio tier 1 anual de US$ 1 milhão e mais quatro torneios regionais de US$ 250 mil cada, cobrindo América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia, mantendo ainda uma fase de Last Chance antes do corte para o próprio Major. Para quem gosta de CS2, fica no radar: o evento está marcado para acontecer entre 31 de maio e 20 de junho de 2027, com premiação total de US$ 1.250.000 e formato de 32 times — os playoffs devem ser disputados no Movistar Arena. É a chance de ver de perto um Major sul-americano logo na porta do Brasil.