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Mercado06 de out. de 2026, 21:30

CEO da Hyundai: só 'condições equivalentes' freiam avanço chinês nos EUA

Jose Munoz, CEO da Hyundai, diz que carros elétricos chineses já custam 30% a 40% menos que rivais em mercados europeus e pede que Washington mantenha barreiras para evitar repetição do cenário na Europa.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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30% a 40% mais baratos: o abismo de preço que assusta a Hyundai

30% a 40% mais baratos. Essa é, segundo Jose Munoz, CEO da Hyundai — montadora sul-coreana, uma das maiores fabricantes de veículos do mundo —, a diferença de preço entre carros elétricos chineses e modelos comparáveis em mercados como Itália, Espanha e França. Para o executivo, só um "level playing field" — condições de competição equivalentes, via tarifas e outras barreiras — consegue reduzir o estrago que essa vantagem de custo pode causar se o mesmo movimento migrar para os Estados Unidos.

A Europa como prévia do que pode vir

Foto: reprodução/timeslive.co.za

O alerta de Munoz não é hipotético: ele aponta para o que já aconteceu no Reino Unido, onde marcas chinesas já respondem por mais de 15% das novas emissões de placas. A BYD, maior fabricante chinesa de veículos elétricos, registrou 48.265 unidades vendidas no país entre janeiro e agosto de 2026 — quase o dobro das 24.333 do mesmo período de 2025 — e viu sua participação de mercado subir de 1,92% para 3,48% em um ano, com o modelo de entrada Dolphin Surf saindo por cerca de £18.675 (por volta de US$ 25 mil). "Todos os mais vendidos são chineses porque não há barreiras", resumiu o executivo.

Quem ganha e quem perde nessa briga de tarifas

Hoje, quem está protegido é a própria Hyundai e rivais como Ford e Volkswagen no mercado americano, onde os EUA aplicam tarifa de 100% sobre a importação de elétricos chineses — uma barreira que, segundo Munoz, precisa ser mantida para evitar que o cenário europeu se repita em solo americano. Executivos do setor citam a capacidade de produção da China, estimada por executivos da Ford em 50 milhões de veículos por ano, quase o dobro do consumo americano total de automóveis, como o fator estrutural que torna a ameaça permanente e não passageira.

Quem ganha com a guerra de preços, pelo menos no curto prazo, é o consumidor europeu, que tem acesso a elétricos mais baratos — mas a conta chega para montadoras tradicionais como Hyundai e Volkswagen, que perdem margem e participação de mercado sem conseguir igualar o custo de produção chinês. Se as tarifas americanas forem flexibilizadas em qualquer negociação comercial futura, a pressão sobre a indústria doméstica dos EUA pode ser imediata.

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