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Mercado20 de out. de 2026, 19:18

CEO da Rivian diz que autonomia vai libertar o design dos carros

RJ Scaringe afirma que a direção autônoma abre espaço para formatos de veículo 'dramaticamente diferentes', visão que culmina no R4, próximo lançamento da montadora após o R3.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Declaração que reabre o debate sobre a forma do carro

O CEO da Rivian, RJ Scaringe, disse que a direção autônoma vai permitir que a montadora construa veículos com formatos "dramaticamente diferentes" dos atuais. A declaração foi dada em entrevista ao TechCrunch e projeta a aposta mais ambiciosa da companhia para a próxima década de produtos.

Segundo Scaringe, o ponto de virada vem depois dos modelos R2 e R3, já conhecidos do público: "É quando fica realmente interessante, quando você começa a imaginar os formatos que quer construir para um veículo autônomo de uso pessoal", afirmou o executivo. Para ele, a autonomia "abre todo tipo de oportunidade de design" e "pode criar experiências dramaticamente diferentes" das atuais.

O R4 como símbolo da virada

Essa visão culmina no R4, o próximo veículo da Rivian, montadora americana de veículos elétricos, depois do R3. Scaringe confirmou a existência do projeto, mas evitou detalhar a aparência do carro, limitando-se a dizer que "vai ser legal, vai ser ótimo". A ausência de detalhes concretos mantém o R4 como uma promessa aberta, mas sinaliza que a empresa trata a autonomia não como um recurso adicional, e sim como ponto de partida para repensar a carroceria, o interior e a própria função do automóvel.

Quem ganha e quem perde nessa aposta

A tese de Scaringe tem um contraponto importante: mesmo com autonomia plena disponível, ele estima que cerca de 95% das milhas rodadas nos Estados Unidos continuarão em veículos de propriedade pessoal, percentual que pode recuar para a faixa de 80% a 90%, mas sem deixar de ser majoritário. Na prática, isso significa que a Rivian aposta contra o modelo de frotas compartilhadas e robotáxis como destino inevitável da autonomia, diferentemente de rivais que apostam tudo em serviços de mobilidade sob demanda.

Quem ganha com essa leitura são montadoras tradicionais e a própria Rivian, que podem seguir vendendo carros para donos individuais, só que com designs liberados das travas impostas por volante, pedais e posição de direção convencional. Quem potencialmente perde terreno são as empresas que apostaram pesado em frotas de robotáxis como principal via de monetização da autonomia, caso a leitura de Scaringe sobre o comportamento do consumidor americano se confirme.

Um mercado ainda em definição

A fala reforça o roteiro de autonomia que a Rivian já havia esboçado: a promessa de navegação ponto a ponto sem intervenção até o fim deste ano, ainda sob supervisão do motorista, com meta de autonomia plena (nível 4) projetada para 2028. O R4, nesse contexto, não é apenas mais um modelo na prateleira, mas o primeiro produto pensado desde a concepção para um mundo em que dirigir deixa de ser a única razão para ter um carro.

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