
CEO do Xbox se desculpa por falta de consoles e cita demanda maior que estoque
Asha Sharma admitiu que a venda de consoles Xbox "continua restrita ao estoque" após a Microsoft registrar queda de 14% na receita de hardware no trimestre.
Por Théo Ramos · Repórter de Games
Pra quem tenta achar um Xbox Series S ou X numa loja brasileira há quase dois anos sem sucesso, a frase que saiu da boca da própria chefona do Xbox nesta quinta-feira (29/10) vai parecer familiar: "tem mais demanda do que videogames disponíveis". Asha Sharma, CEO do Xbox, pediu desculpas publicamente pela falta de consoles nas lojas e tentou explicar por que o problema persiste.
O que Sharma disse
Segundo a executiva, "a venda de consoles continua restrita ao estoque, com mais demanda do que videogames disponíveis". Ela reconheceu que ainda há "um pouco mais de trabalho a ser feito" e afirmou que a Microsoft está tentando colocar mais aparelhos nas mãos dos jogadores, citando a expansão do programa de recondicionamento — que recupera consoles usados para revenda. Até aqui, nenhum detalhe concreto sobre quantidade de unidades faltando ou em que países o problema é mais grave.
O gatilho: resultado financeiro fraco
A declaração não surgiu do nada. Ela veio horas depois da Microsoft divulgar o balanço do primeiro trimestre do ano fiscal de 2027 (referente a julho-setembro de 2026), e os números do hardware não ajudam o discurso da empresa: a receita de vendas de consoles caiu 14% na comparação anual. No consolidado da divisão de games, a queda foi de cerca de 2% — menor que o tombo de 10% registrado no trimestre anterior, mas ainda negativa. Do lado positivo, a Microsoft destacou crescimento de dois dígitos na receita do PC e bom desempenho de franquias como Minecraft e World of Warcraft.
Por que isso pega mal com o consumidor
Aqui que a história fecha o ciclo: a empresa diz que vende menos hardware porque não tem estoque suficiente — ou seja, a culpa seria da demanda alta, e não de falta de interesse no produto. Só que, para o jogador brasileiro, essa "escassez" já é crônica. O Series S e o Series X estão fora do varejo oficial do país desde o fim de 2024, restando basicamente o mercado de importação, onde os preços variam de R$ 3.500 a mais de R$ 7.000 — valores que tornam o console inacessível pra boa parte de quem queria comprar.
O que fica pra comunidade
Enquanto a Microsoft fala em "trabalho a ser feito" e recondicionamento de aparelhos usados, não existe nenhum compromisso público de data, quantidade ou retorno das vendas oficiais no Brasil. A desculpa de Sharma é simpática no discurso, mas, na prática, quem quer jogar no console da Microsoft por aqui continua sem opção legítima de comprar um aparelho novo com preço justo. Resta esperar — e ver se o próximo trimestre finalmente traz um console nas gôndolas, em vez de só nos resultados financeiros.