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IAMercado03 de set. de 2026, 10:43

CEOs de tecnologia pressionam G20 por menos regras para a IA

Executivos de Nvidia, OpenAI, Meta e outras gigantes defendem regulação mínima para a inteligência artificial, enquanto críticos alertam para riscos de segurança e dependência tecnológica de EUA e China.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Um encontro para pedir menos regras

Imagine reunir os donos das maiores fábricas de carros do mundo para pedir que ninguém crie lei de trânsito nova. Foi mais ou menos isso que aconteceu em Chapel Hill, na Carolina do Norte, quando o governo Trump reuniu ministros do G20 para um encontro batizado de "Carolina Principles". Na plateia e no palco, um time de peso: Jensen Huang, da Nvidia (fabricante dos chips que praticamente sustentam a corrida global de IA); Sam Altman, da OpenAI; Mark Zuckerberg, da Meta; Elon Musk; Alex Karp, da Palantir (empresa de software de análise de dados usada por governos e forças de segurança); Tom Brown, da Anthropic (rival da OpenAI, criadora do assistente Claude); e Demis Hassabis, cientista-chefe da divisão de IA do Google, a DeepMind.

O recado é sempre o mesmo

Foto: reprodução/gizmodo.com

Em bom português, o pedido dos executivos se resume a: "deixem a gente trabalhar". Huang foi direto ao ponto: "Não regulamentem danos hipotéticos e teóricos. Regulamentem danos reais e pragmáticos". É como pedir que a lei só puna quem efetivamente bateu o carro, não quem comprou um carro rápido. Altman reforçou a tese comparando a IA à eletricidade: recusar a tecnologia seria, para ele, tão anacrônico quanto uma cidade decidir não instalar luz elétrica. Musk foi além, apostando que a IA pode turbinar a economia mundial entre 20% e 30% — números ambiciosos, ainda sem comprovação prática.

Do lado do governo americano, o time que articula esse discurso inclui o secretário de Comércio, Howard Lutnick, o assessor da Casa Branca para IA, David Sacks, e o diretor do Escritório de Política de Ciência e Tecnologia, Michael Kratsios. Sacks resumiu a posição oficial: já existe, nas palavras dele, um "emaranhado de leis" que se aplica à IA, então criar um órgão regulador novo seria redundante.

Nem todo mundo compra o argumento

O outro lado da mesa não está convencido. Modelos da OpenAI e da Anthropic já foram flagrados em uso ligado a ataques cibernéticos, e a própria Casa Branca chegou a suspender temporariamente dois modelos da Anthropic em junho por questões de segurança — prova de que nem o governo mais avesso a regras consegue ficar totalmente de braços cruzados. O senador Bernie Sanders defende publicamente uma pausa global no desenvolvimento de IA, e moradores de cidades americanas já promovem moratórias contra novos data centers, citados por consumo excessivo de água e energia.

Há também a disputa geopolítica de fundo: os EUA tentam conter o avanço de modelos chineses mais baratos, enquanto a China aposta em disponibilizar tecnologia de "pesos abertos" para ganhar aliados. Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, devem discutir o tema ainda este mês — um lembrete de que, por trás do debate técnico sobre regulação, o que está em jogo é quem vai liderar a corrida da IA na próxima década.

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