
Cerco eletrônico do Rio lê 10 milhões de placas por dia e mira clonagem de veículos
Plataforma Civitas, da Prefeitura do Rio, aponta indícios de clonagem em um a cada cinco veículos monitorados e fechou parceria com a PRF para compartilhar alertas em nível nacional.
Por Redação tech & talk · Curadoria assistida por IA, revisão humana
Física contra a clonagem
O Cerco Eletrônico operado pela Civitas — Central de Inteligência, Vigilância e Tecnologia em Apoio à Segurança Pública da Prefeitura do Rio de Janeiro — lê até 10 milhões de placas por dia útil e se tornou uma das principais ferramentas do país contra a clonagem de veículos. Segundo reportagem da Mecânica Online de maio de 2026, um em cada cinco veículos monitorados pelo sistema apresenta indícios de clonagem.
O método usa princípios básicos de física: algoritmos calculam a velocidade média de um veículo entre pontos de leitura. Quando a mesma placa aparece em dois locais distantes em um intervalo fisicamente impossível — em um dos casos, o deslocamento exigiria 1.242 km/h —, o sistema dispara um alerta automático de possível clonagem. Com essa abordagem, 573 veículos clonados foram confirmados, com 100% de precisão nas abordagens em campo, e 321 seguiam sob monitoramento ativo à época da reportagem.
Foto: reprodução/prefeitura.rio
Rede de câmeras dobrou
De acordo com a Prefeitura do Rio, o parque tecnológico da Civitas saltou de 6.864 para 12.857 câmeras até junho de 2026 — crescimento de 88% — e passou a cobrir 100% dos bairros da cidade. Desde a criação da central, foram registradas mais de 4,2 bilhões de passagens de veículos e apoiados mais de 5.200 casos de investigação. A equipe da sala de situação cresceu de 30 para 92 profissionais, e o time de dados e tecnologia, de 8 para 20 especialistas. Há planos de dobrar a rede para 25 mil câmeras em dois anos, e um módulo de inteligência artificial já catalogou 1,6 milhão de objetos com 88% de precisão.
Parceria com a PRF
Em junho de 2026, ao completar dois anos de operação, a Civitas assinou acordo com a Polícia Rodoviária Federal para compartilhamento ágil de dados e alertas do Cerco Eletrônico em nível nacional. Segundo a prefeitura, a integração permite cruzar leituras de placas da capital fluminense com bases federais, ampliando o alcance de investigações complexas — como os próprios casos de clonagem, em que o veículo original e o clone frequentemente circulam em estados diferentes. A gestão municipal afirma que a tecnologia da central passa a poder ser usada em investigações de âmbito federal.