
CFO da Rivian deixa a empresa em meio à aposta no SUV R2
Claire McDonough, que comandou as finanças da montadora elétrica desde o IPO de US$ 13,7 bilhões em 2021, sai em 30 de outubro para assumir a diretoria financeira da GE Vernova. Derek Mulvey assume interinamente enquanto a Rivian tenta provar que consegue lucrar com o R2.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
A saída que pega a Rivian em momento delicado
Claire McDonough, CFO da Rivian desde janeiro de 2021, vai deixar o cargo em 30 de outubro. Em comunicado à SEC nesta quinta-feira, a fabricante de carros elétricos confirmou que ela sai para "perseguir uma nova oportunidade" — no caso, a cadeira de CFO na GE Vernova, fabricante de equipamentos de energia sediada em Massachusetts. A executiva também citou o desejo de se mudar para a Costa Leste, mais perto da família.
A transição não é traumática no papel: McDonough fica mais dois meses para passar o bastão, e Derek Mulvey, vice-presidente de finanças da Rivian desde 2021 e ex-J.P. Morgan, assume como CFO interino. A empresa já iniciou a busca por um substituto permanente, avaliando candidatos internos e externos.
O que ela deixa para trás
McDonough esteve à frente das finanças da Rivian por quase seis anos, período que inclui o IPO de US$ 13,7 bilhões em novembro de 2021 — um dos maiores da história recente do mercado americano — e a captação de até US$ 5,8 bilhões junto ao grupo Volkswagen, acordo fechado em novembro de 2024 e que hoje sustenta boa parte do caixa da companhia.
O problema é o retrovisor: as ações da Rivian, que estrearam a US$ 78, fecharam a quinta-feira cotadas a US$ 16,80. É uma queda de quase 80% desde o IPO, reflexo de anos de queima de caixa, atrasos de produção e um mercado de elétricos mais frio do que o prometido em 2021.
Quem ganha, quem perde
Para a GE Vernova, a contratação é vitória clara: leva para o comando financeiro uma executiva com currículo de mercado de capitais e experiência recente em capturar investimento estratégico de peso, justamente quando a fabricante de equipamentos de energia surfa a demanda por infraestrutura elétrica ligada a data centers e IA.
Para a Rivian, a saída chega em momento sensível. A empresa está no meio da rampa de produção do SUV R2, o modelo mais barato da linha e aposta central para tirar a companhia do vermelho — as primeiras entregas começaram neste verão americano. Trocar de CFO no meio dessa transição de produto é o tipo de ruído que investidores preferem evitar, mesmo com um interino de casa já rodado. O mercado vai observar de perto se a Rivian consegue segurar a narrativa de disciplina financeira sem a executiva que a construiu.