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Ciência29 de set. de 2026, 11:00

Chandra encontra nova classe de fontes de raios X que intrigava astrônomos

Pesquisadores revisaram dados de arquivo do telescópio Chandra e identificaram 84 fontes de raios X hipersuaves em seis galáxias — objetos tão fracos que passavam despercebidos há décadas.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um brilho quase invisível

Durante quase três décadas, uma classe inteira de objetos cósmicos ficou escondida nos próprios arquivos que os astrônomos já tinham em mãos. Um time liderado por Mustafa Muhibullah, da Universidade do Alabama, uma das maiores universidades públicas de pesquisa dos Estados Unidos, revisou dados coletados pelo observatório Chandra, telescópio espacial de raios X da Nasa em órbita desde 1999, e encontrou 84 fontes de raios X que ninguém tinha catalogado como um grupo próprio.

O que já está confirmado

O motivo de terem passado batido é técnico: essas fontes emitem quase toda a sua energia numa faixa muito baixa do espectro de raios X, abaixo de 0,3 mil elétron-volts (keV) — um sinal tão sutil que os filtros de análise costumavam descartá-lo como ruído. Batizados de "hypersoft X-ray sources" (fontes de raios X hipersuaves), os objetos foram encontrados em seis galáxias, entre elas a vizinha M31 (Andrômeda) e a M101, além de quatro galáxias elípticas. O estudo, assinado também por Jimmy Irwin e Rosanne Di Stefano, do Center for Astrophysics de Harvard, foi publicado na revista Nature Astronomy em 9 de setembro.

O que ainda é hipótese

A origem física dessas fontes segue em aberto. Os pesquisadores listam duas explicações principais, sem descartar nenhuma: anãs brancas muito frias acumulando matéria de uma estrela companheira — processo ligado à formação de supernovas do tipo Ia — ou sistemas binários com buracos negros de massa intermediária. Se a segunda hipótese se confirmar, os hypersoft podem ajudar a explicar também por que o gás entre as estrelas de algumas galáxias aparece ionizado sem uma fonte de energia óbvia por perto.

O que falta responder

Nenhuma das duas hipóteses foi confirmada por observação direta, e o próprio Chandra já opera muito além da vida útil original prevista, o que limita a coleta de dados novos e dedicados a esses objetos. O próximo passo do grupo é cruzar o catálogo com observações em outras faixas do espectro, como ultravioleta, pra tentar decidir entre anã branca e buraco negro. Até lá, os 84 pontos de luz seguem catalogados, mas sem explicação fechada.

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