
Charter Space capta US$ 5 milhões para popularizar seguros no setor espacial
A Charter Space fechou uma rodada seed de US$ 5 milhões liderada pela Crystal Venture Partners para expandir sua corretora de seguros voltada a empresas espaciais, que hoje atende mais de 50 clientes do setor.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
US$ 5 milhões para destravar um mercado pouco explorado
A Charter Space, startup que oferece seguros voltados a empresas do setor espacial, captou uma rodada seed de US$ 5 milhões liderada pela Crystal Venture Partners. Participaram também a QED, especializada em fintech, além de Blank Ventures, Hustle Fund e Gaingels. Com o novo aporte, a empresa soma US$ 8 milhões captados desde a fundação.
A startup, sediada em El Segundo, na Califórnia, foi criada pelo CEO Yuk Chi Chan e pelo cofundador Yukun Yin. Eles apostam em um nicho pouco explorado: seguros para satélites, foguetes e outros ativos espaciais, um mercado onde seguradoras tradicionais costumam evitar entrar.
Por que as seguradoras fogem do setor espacial
Segundo os fundadores da Charter Space, o problema não é falta de interesse, mas de entendimento técnico. Seguradoras convencionais frequentemente recusam cobrir empresas espaciais porque, nas palavras da própria startup, elas "ouvem um monte de palavras científicas assustadoras e surtam". Sem conseguir avaliar corretamente os riscos de engenharia aeroespacial, essas seguradoras preferem simplesmente não subscrever apólices para o setor.
A Charter Space tenta resolver essa lacuna com um software centralizado que integra dados técnicos, de manufatura e de testes de engenharia diretamente no processo de subscrição. A empresa opera como uma corretora de seguros licenciada nacionalmente nos Estados Unidos, e hoje presta serviço a mais de 50 empresas do setor espacial e de defesa do país.
Quem ganha com o modelo
O principal beneficiado é o próprio ecossistema de startups espaciais, hoje um segmento que tem dificuldade de encontrar cobertura de seguro acessível — o que, por tabela, também dificulta o acesso a capital de dívida e crédito fora do universo de venture capital. Ao tornar a subscrição de risco mais precisa e menos dependente de avaliações genéricas, a Charter Space quer viabilizar seguros para mais satélites em órbita.
"Queremos que mais satélites sejam segurados, porque isso significa que tudo, como um todo, fica muito mais seguro", afirmou Chan, CEO da empresa.
Com o novo aporte, a Charter Space planeja expandir sua equipe de vendas e ampliar a cobertura para conceitos de missão mais inovadores, como energia nuclear baseada no espaço, missões lunares e manutenção de naves em órbita. A empresa já havia lançado, em maio, sua corretora de seguros licenciada, e vinha antes disso trabalhando com grandes seguradoras globais, como Munich Re e AXA XL, para automatizar parte do processo de due diligence de risco espacial.