
ChatGPT vai lembrar o que você faz em outros apps e sites no Mac
A OpenAI lançou o Computer History, recurso que registra atividade em apps e sites do Mac para dar mais contexto ao ChatGPT. Disponível para planos Pro, Business e Enterprise, ainda não chega à União Europeia, Suíça e Reino Unido.
Por Marina Sato · Repórter de IA
Recurso já está disponível para assinantes Pro, Business e Enterprise
A OpenAI anunciou nesta quinta-feira (13) o Computer History, recurso que faz o ChatGPT "lembrar" o que o usuário fez em outros aplicativos e sites no Mac. A ideia é reduzir a necessidade de reexplicar tarefas a cada nova conversa.
O lançamento vale para os planos Pro, Business e Enterprise do ChatGPT desktop para Mac. A OpenAI confirmou que a disponibilidade inicial exclui União Europeia, Suíça e Reino Unido — mercados com regras mais rígidas de proteção de dados.
Foto: reprodução/olhardigital.com.br
Como funciona
O Computer History roda em segundo plano e usa os recursos de acessibilidade do macOS para registrar cliques, digitação, atalhos de teclado e troca entre aplicativos como Slack, Google Chrome, Notion e Google Agenda. Com isso, o ChatGPT monta uma linha do tempo pesquisável de memórias que pode ser consultada em conversas futuras.
Segundo a OpenAI, o recurso não captura screenshots, gravações de tela, áudio do microfone ou do sistema, e ignora atividade em navegação privada. Em nota citada pelo site 9to5Mac, a empresa afirma que a ferramenta "deixa o ChatGPT aprender com tudo o que você faz no computador, para entender melhor como você trabalha e terminar tarefas que estão em andamento".
Foto: reprodução/9to5mac.com
O Computer History vem desativado por padrão. Usuários Pro precisam ativá-lo manualmente em Configurações > Integrações; em contas Business e Enterprise, administradores precisam liberar o acesso antes que os membros possam ligar a função. É possível escolher quais apps entram no histórico, pausar, retomar, apagar itens específicos ou limpar tudo dos últimos 10 minutos, da última hora, do último dia ou de todo o período.
Vem do Chronicle
O recurso é descrito pela OpenAI como derivado do Chronicle, pesquisa experimental anterior da empresa que dependia de capturas de tela. Segundo o 9to5Mac, o Computer History não é um simples reaproveitamento de nome: trata-se de um sistema reconstruído do zero, sem depender de imagens da tela.
O que ainda falta esclarecer
A OpenAI não detalhou até quando durará a exclusão de EEE, Suíça e Reino Unido nem se pretende trazer o recurso para Windows. Também não ficou claro por quanto tempo os dados de atividade ficam armazenados nos servidores da empresa antes de expirar, nem se há auditoria independente sobre o que é de fato coletado além do que a OpenAI declara publicamente.
Atualização (14/08, 21:55): Atualização (15/08/2026): Reportagens complementares revelam detalhes preocupantes sobre o funcionamento do Histórico do Computador. Segundo o Canaltech, os arquivos gerados pelo recurso ficam armazenados no Mac sem nenhuma criptografia local, em formato Markdown, e podem ser acessados por outros programas em execução com as mesmas permissões do usuário — o que abre brecha para ataques de prompt injection, especialmente quando o ChatGPT processa conteúdo malicioso de sites visitados. Os dados de atividade ficam retidos temporariamente no computador por até 48 horas antes de serem enviados aos servidores da OpenAI para processamento; a empresa afirma não reter essas informações depois, exceto quando exigido por lei, mas conversas que usam as memórias geradas podem ser aproveitadas em treinamento de modelo caso o compartilhamento de dados não tenha sido desativado nas configurações da conta.
O Tecnoblog e outros veículos internacionais também traçaram um paralelo direto entre o Histórico do Computador e o recurso Recall, do Windows 11, lançado pela Microsoft e que precisou ser adiado por quase um ano após forte reação negativa sobre segurança e privacidade, só chegando ao público em versão opt-in em abril de 2025. A diferença é que, enquanto o Recall tira capturas de tela periódicas, o recurso da OpenAI registra apenas eventos de interação (cliques, digitação, trocas de aplicativo) sem gravar tela ou áudio, além de vir desativado por padrão e ainda não estar disponível no Espaço Econômico Europeu, Reino Unido e Suíça. Ainda assim, especialistas apontam que os riscos de injeção de prompt e o armazenamento sem criptografia permanecem pontos de atenção mesmo com essas mudanças de abordagem.