
ChatVote: TSE lança IA para tirar dúvidas do eleitor nas Eleições 2026
O Tribunal Superior Eleitoral estreou o ChatVote, chatbot que responde em linguagem natural sobre local de votação, justificativa de ausência e regras eleitorais. É a primeira ferramenta de IA feita internamente pelo órgão, mas o custo do projeto ainda não foi divulgado.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
O que muda para quem vota
Se você já perdeu tempo procurando em manuais ou ligando para a central para saber o local de votação ou como justificar ausência às urnas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — órgão máximo da Justiça Eleitoral brasileira, responsável por organizar e fiscalizar as eleições — quer resolver isso com um chat. Lançado em 22 de setembro, o ChatVote é um assistente de inteligência artificial que responde perguntas em linguagem natural sobre as Eleições 2026, disponível 24 horas por dia no Portal do TSE (ícone no canto inferior direito da tela) e no aplicativo e-Título.
O chatbot cobre dúvidas recorrentes do eleitorado: dia, horário e local de votação, justificativa de ausência às urnas, orientações para quem vai atuar como mesário e conteúdo das resoluções eleitorais. Segundo o TSE, a proposta é digerir em texto simples o volume de perguntas frequentes que hoje chega à central de atendimento da Justiça Eleitoral.
Foto: reprodução/poder360.com.br
Primeira ferramenta própria do TSE
O detalhe que chama atenção de quem acompanha govtech: embora o TSE já use soluções de chatbot desde as eleições de 2020, o ChatVote é a primeira ferramenta desenvolvida internamente pelo tribunal, resultado de esforço conjunto entre a Diretoria de Assuntos Estratégicos (DAE), a Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) e a Secretaria de Comunicação (Secom) da Corte. O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, afirmou que o objetivo é ampliar o acesso da população às informações da Justiça Eleitoral.
Entre as próximas etapas anunciadas estão um sistema de avaliação das respostas pelo próprio usuário, integração com WhatsApp e testes de interação por voz — movimento parecido com o de prefeituras e governos estaduais que têm apostado em atendimento via IA para reduzir filas em serviços públicos, ainda que cada iniciativa avance em ritmo e maturidade diferentes.
As perguntas que ficam no ar
O anúncio não traz nem o modelo de IA usado por trás do ChatVote, nem se houve parceria com empresas de tecnologia, nem o valor investido no desenvolvimento — informações que o TSE ainda não divulgou publicamente. Vale lembrar que, em agosto, o tribunal já havia firmado com a Advocacia-Geral da União (AGU) um acordo de boas práticas sobre uso de IA nas Eleições 2026, sinal de que o tema regulatório está no radar da própria Corte.
Fica a pergunta que todo eleitor deveria fazer antes de confiar cegamente numa resposta automática sobre seu direito de voto: quanto custou o ChatVote, quem audita a precisão das respostas e como o TSE garante que a ferramenta não erre justamente na informação que decide se o cidadão vota ou paga multa por ausência não justificada?