
Chaves fracas da CA eMudhra deixam 8 certificados TLS vulneráveis
Um erro de geração de chaves na certificadora indiana eMudhra permitiu que oito certificados intermediários TLS tivessem suas chaves privadas recuperadas com facilidade, o que poderia permitir a criação de credenciais falsas para qualquer site. Navegadores já bloquearam os certificados, mas administradores de sites e sistemas precisam agir.
Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança
O que aconteceu
A certificadora digital indiana eMudhra — uma autoridade certificadora (CA), empresa autorizada a emitir os certificados que garantem a conexão segura entre navegadores e sites — revelou que oito de seus certificados intermediários tinham chaves privadas geradas de forma defeituosa. Segundo a própria empresa, um erro em um script de geração de chaves, ocorrido em abril de 2025, criou um segundo lote de chaves bem mais fracas, que acabaram sendo usadas por engano para assinar certificados, já que tinham rótulos parecidos com os das chaves corretas.
O problema é grave porque essas chaves usavam o padrão criptográfico P-384, mas os valores gerados ficaram menores que 256 — uma delas chegou a valer apenas 4. Na prática, isso significa que qualquer pessoa poderia descobrir a chave testando poucas possibilidades, algo que levaria segundos em um computador comum. Um certificado intermediário é usado para assinar outros certificados: quem tiver acesso a essa chave pode, em teoria, criar credenciais que o navegador aceitaria como válidas para qualquer site da internet, incluindo bancos e serviços de e-mail.
Um pesquisador reportou o problema aos times de segurança dos navegadores na noite de 17 de outubro. A Mozilla bloqueou os certificados no mesmo dia pelo sistema OneCRL, usado pelo Firefox para revogar certificados fraudulentos rapidamente; o Google Chrome bloqueou seis dos intermediários horas depois; e a Apple adicionou proteções em 19 de outubro. A eMudhra afirma não ter encontrado evidências de que as chaves tenham sido usadas por terceiros para emitir certificados falsos antes da descoberta.
Quem é afetado
O impacto maior recai sobre administradores de sites cujos certificados TLS foram emitidos a partir da raiz emSign ECC Root CA - G3, ligada à eMudhra. A empresa estima que cerca de 30.000 certificados precisam ser substituídos, a maioria emitida por processo automatizado (ACME). O Google já avisou que vai remover a confiança nessa raiz do Chrome a partir de 27 de outubro de 2026, o que tornaria sites com certificados dessa cadeia inacessíveis no navegador até lá.
Usuários comuns não precisam fazer nada além de manter navegador e sistema atualizados — a correção já foi aplicada automaticamente pelos principais fabricantes.
O que fazer agora
- Administradores de sites: verifiquem se o certificado TLS do domínio foi emitido pela eMudhra e, principalmente, se a cadeia passa pela raiz emSign ECC Root CA - G3; se sim, troquem por um certificado de outra autoridade antes de 27 de outubro de 2026.
- Times de infraestrutura e DevOps: atualizem pacotes de certificados em sistemas Linux, containers e dispositivos embarcados, já que eles não recebem as correções automáticas que chegam via navegador.
- Desenvolvedores: conferam se bibliotecas e linguagens usadas (como Go e Python) já receberam atualização que bloqueia os oito certificados comprometidos.
- Usuários finais: mantenham o navegador atualizado; nenhuma ação manual extra é necessária.
- Empresas com certificados de assinatura de código: revisem se usam certificados eMudhra para esse fim, já que alguns dos itens comprometidos também serviam a essa função.