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IA23 de out. de 2026, 10:08

Chefe do Google DeepMind agora vê AGI chegar em só 2 a 3 anos

Demis Hassabis reduziu a própria estimativa e propõe um "teste Einstein" para saber se uma IA merece o rótulo de inteligência geral.

Por Elias Brandão · Analista de IA e ética

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Uma previsão que fica cada vez mais próxima

Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind — o laboratório de pesquisa em inteligência artificial do Google —, revisou sua própria previsão sobre quando chegaremos à AGI, a chamada "inteligência artificial geral". Antes, ele falava em três a cinco anos. Agora, em perfil publicado pela revista da Wall Street Journal que o nomeou "Inovador em Tecnologia" de 2026, ele reduziu a janela para dois a três anos. Em suas palavras: "É em breve. Estou atualizando para mais perto e mais perto."

Antes de seguir, vale traduzir o jargão: AGI, em bom português, é a ideia de uma IA que não se destaca só numa tarefa específica (como jogar xadrez ou gerar texto), mas que tem a gama completa de habilidades cognitivas de um ser humano — aprender, raciocinar e criar em qualquer domínio, não só no que foi treinada para fazer.

Como medir algo que ainda não existe

Hassabis propõe o que chama de "teste Einstein": treinar um sistema só com o conhecimento humano disponível até 1901 e verificar se ele consegue, por conta própria, chegar às quatro descobertas que Einstein publicou em 1905 — o chamado "ano miraculoso", que incluiu o efeito fotoelétrico, o movimento browniano, a relatividade especial e a equivalência entre massa e energia. A lógica é simples de entender com uma analogia: não basta a IA "decorar" o que já existe nos livros, ela precisa ser capaz de gerar uma ideia original que ainda não estava lá — do mesmo jeito que um aluno brilhante não só resolve a lista de exercícios, mas resolve um problema que o professor nunca viu antes.

Os dois lados da previsão

Por um lado, Hassabis costuma ser visto como o mais cauteloso entre os chefes dos grandes laboratórios de IA quando o assunto é prazo — o que dá peso à revisão. Por outro, previsões de prazo para AGI feitas por quem lidera esses mesmos laboratórios têm histórico de errar, geralmente para o lado otimista, e servem também para sustentar captação de investimento e atenção da imprensa. Hassabis disse que gostaria de usar uma futura AGI primeiro em física: "Quero usar a AGI para entender a natureza da realidade."

Falta saber, claro, quem vai validar se um sistema passou mesmo no teste Einstein — e se esse critério resiste quando alguém tentar de fato aplicá-lo na prática.

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