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Segurança20 de out. de 2026, 19:17Atualizada em 21 de out. de 2026, 00:52

Chefe do Instagram admite não saber como combater deepfakes de criadores

Adam Mosseri, responsável pelo Instagram, reconheceu estar "muito preocupado" com avatares de IA que clonam rotinas de comediantes para vender assinaturas, mas descartou banir conteúdo sintético da plataforma.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

Adam Mosseri, o executivo que comanda o Instagram, admitiu publicamente que a empresa ainda não encontrou uma forma eficaz de combater perfis que usam avatares gerados por inteligência artificial para reproduzir conteúdo de outros criadores. A declaração veio depois que comediantes denunciaram contas que copiavam suas apresentações de stand-up quase palavra por palavra, substituindo a imagem original por personagens sintéticos.

Um dos casos mais citados é o da conta "Tiffany Sloane", um avatar feminino criado por IA que começou a publicar vídeos em 11 de setembro e já somava cerca de 375 mil seguidores em 124 publicações até o início de outubro. O comediante George Brett Olson comparou um vídeo seu com uma postagem da conta e apontou que a versão sintética reproduzia sua piada, seus gestos e até o figurino original.

Segundo relatos, o modelo de negócio por trás desses perfis segue um padrão: o conteúdo roubado atrai audiência e, depois de acumular seguidores, as contas direcionam o público para assinaturas pagas em plataformas como OnlyFans.

Quem é afetado

Os principais prejudicados são criadores de conteúdo original, especialmente comediantes, que veem seu trabalho replicado sem autorização e perdem audiência e possível renda para perfis falsos. Olson relatou ainda dificuldade em conseguir que a denúncia contra a conta copiona fosse processada pelo Instagram.

Mosseri reconheceu estar "muito preocupado" com a prática, mas descartou uma proibição geral de conteúdo gerado por IA na plataforma, argumentando que identificar esse tipo de material está ficando cada dia mais difícil e que nem todo conteúdo sintético é prejudicial. A Meta disse avaliar formas de redirecionar mais tráfego para os autores originais e tratar casos de cópia integral de produções.

O que fazer agora

Enquanto a Meta não apresenta uma solução definitiva, especialistas recomendam que criadores e usuários comuns adotem medidas preventivas:

  • Denuncie o perfil fake diretamente pelo Instagram: acesse o perfil suspeito, toque nos três pontos e selecione "Denunciar" > "Fingir ser você ou outra pessoa" ou "Conteúdo impróprio".
  • Registre provas antes de denunciar: salve prints e links do vídeo original e da cópia, já que o processo de remoção pode demorar ou falhar na primeira tentativa.
  • Monitore buscas por seu nome e marca: use alertas (como Google Alertas) para identificar rapidamente novos perfis clonando seu conteúdo.
  • Desconfie de contas que redirecionam para assinaturas pagas (OnlyFans, Fanvue e similares) logo após ganharem seguidores com conteúdo copiado — é um padrão recorrente desses golpes.
  • Avise seu público: publique um aviso nos próprios canais alertando seguidores sobre a conta falsa, para reduzir o alcance do golpe antes que o Instagram responda.

Atualização (21/10, 00:52): Adam Mosseri reconheceu que a rede social ainda não tem resposta para contas que usam personagens 100% de IA para copiar piadas de comediantes reais e empurrar seguidores para conteúdo adulto.

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