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Ciência29 de set. de 2026, 10:56

Cheiro do umbigo pode revelar sinais de Parkinson, sugere estudo

Pesquisa preliminar alemã encontrou diferenças químicas no cheiro do umbigo, nariz e orelha entre pessoas saudáveis e com Parkinson, Covid-19 ou comprometimento cognitivo leve — mas a amostra é pequena e o achado ainda não vira diagnóstico.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: um cotonete de 10 segundos pode dizer mais do que parece

Dez segundos. É o tempo que pesquisadores do Instituto Fraunhofer, na Alemanha, levaram para coletar, com um cotonete estéril, uma amostra do interior do nariz, da concha da orelha e do umbigo de cada voluntário. Parece pouco, mas foi o suficiente para identificar padrões químicos diferentes entre pessoas saudáveis e pessoas com Parkinson, comprometimento cognitivo leve ou Covid-19.

O que já está confirmado

Foto: reprodução/sciencealert.com

O estudo, publicado na revista Scientific Reports, usou uma técnica chamada espectroscopia fotoacústica a laser (LPAS) para detectar compostos orgânicos voláteis (VOCs) — moléculas de carbono que evaporam facilmente e carregam informação sobre o que acontece dentro do corpo. O umbigo, explicam os autores, funciona como um pequeno reservatório natural de células mortas, sebo e suor, colonizado por bactérias que fermentam esse material e produzem odores característicos — e, aparentemente, também característicos da condição de saúde de cada pessoa.

Os pesquisadores recrutaram 24 voluntários, divididos em quatro grupos de seis: saudáveis, Parkinson, comprometimento cognitivo leve e Covid-19. As amostras do nariz e do umbigo foram as que mostraram diferenças mais nítidas entre os grupos — com a separação mais clara entre pessoas saudáveis e as com comprometimento cognitivo leve. Já Parkinson e Covid-19 ficaram numa zona intermediária, com alguma sobreposição entre si.

O que ainda é hipótese

Aqui a ciência pede cautela: os próprios autores tratam o trabalho como prova de conceito, não como diagnóstico pronto para uso. Vinte e quatro pessoas é uma amostra pequena demais para conclusões definitivas, o estudo foi feito em ambiente de laboratório controlado — sem testar contaminantes do dia a dia — e a idade dos participantes também pode ter influenciado os resultados, já que não houve pareamento etário rigoroso entre os grupos.

Ou seja: o cheiro do umbigo virar exame de rotina para Parkinson é, por enquanto, hipótese, não fato. O que está confirmado é que existe, sim, uma diferença química mensurável — e que ela merece ser testada em grupos maiores e mais diversos antes de qualquer aplicação clínica real.

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