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GamesMercado09 de out. de 2026, 11:02

Chess.com aposta no pôquer e quer sair do xadrez quase 20 anos depois

Em beta desde maio, o Gambit leva a pedagogia do Chess.com para o pôquer sem dinheiro real em jogo. A empresa já planeja repetir a fórmula em go, gamão e mahjong.

Por Théo Ramos · Repórter de Games

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Do xadrez para a mesa de pôquer

Se você joga xadrez online, já esbarrou no Chess.com — plataforma que se tornou referência mundial para quem quer aprender e competir no tabuleiro pela internet. Pois a empresa está testando, desde maio, um site irmão batizado de Gambit: um serviço gratuito de pôquer, sem dinheiro real envolvido, com o mesmo DNA pedagógico que fez o xadrez online bombar nos últimos anos.

Segundo reportagem do The Verge, o Gambit nasceu discretamente — "quietly launched", nas palavras do próprio veículo — e só ganhou holofote maior no fim de agosto, com um torneio ao vivo chamado Gambit Cup. A proposta é simples de explicar e rara no setor: lições estruturadas, bots de dificuldades variadas, análise de mãos após as partidas com um coach virtual, mesas privadas para jogar com amigos e um sistema de rating no estilo Elo — o mesmo método usado há anos para medir a evolução de quem joga xadrez no site.

"Nenhuma aposta, nenhum jogo de azar"

O recado da empresa é direto: o slogan do Gambit é "all of the poker, none of the gambling" (todo o pôquer, nenhuma aposta). Albert Cheng, Chief Growth Officer do Chess.com, resumiu ao The Verge o motivo de evitar dinheiro real na mesa: "a indústria inteira ganha dinheiro quando iniciantes perdem. Preferimos construir um lugar onde as pessoas possam de fato aprender." Para ele, o problema que o Gambit tenta resolver é justamente esse: "dinheiro de verdade é o problema que criamos o Gambit para evitar."

Cheng também explicou por que o rating faz diferença mesmo sem apostas em jogo: sem o dinheiro do próprio bolso na mesa, o risco cai — mas é preciso "algo para contrabalançar, que a pessoa se importe, que mantenha o ecossistema funcionando e o nível do pôquer no Gambit razoavelmente alto." Segundo o executivo, o time que tirou o produto do papel foi enxuto — ele e mais um funcionário —, apoiado em ferramentas de IA principalmente para tarefas de programação, o que ajudou a acelerar o desenvolvimento.

Próxima parada: outros jogos de tabuleiro

A aposta não para no pôquer. De acordo com o The Verge e outras coberturas que confirmam o dado, o Chess.com já trabalha em versões do mesmo sistema de rating para go, gamão (backgammon) e mahjong — todos jogos clássicos com comunidades fiéis, mas pouco digitalizados com essa camada de ensino e competição que fez o sucesso do Chess.com.

O movimento marca uma guinada depois de quase duas décadas de foco único em xadrez — a empresa nasceu em 2005 e abriu ao público em 2007. Para quem acompanha o mercado de games, é um lembrete de que plataformas de nicho bem-sucedidas tendem, cedo ou tarde, a tentar replicar a fórmula em outros públicos. Resta saber se a comunidade de pôquer — e depois a de go e gamão — vai abraçar a ideia de competir só por rating, sem fichas de verdade na mesa.

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