
Chevrolet corta preço do Trailblazer em R$ 33 mil para brigar com SW4
A Chevrolet reduziu o preço do SUV Trailblazer para R$ 388.900 em concessionárias — R$ 33.690 abaixo da tabela oficial — numa tentativa de competir com a Toyota SW4 e rivais chineses, mas as vendas ainda estão longe de alcançar a líder do segmento.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
O número que importa
R$ 388.900. É esse o novo piso de preço que concessionárias estão praticando para o Chevrolet Trailblazer High Country, SUV de sete lugares da marca. O valor fica R$ 33.690 abaixo do preço oficial de tabela para o ano-modelo 2027, de R$ 422.590. Em promoções pontuais, o carro já apareceu até por R$ 379.900, e a própria Chevrolet (montadora americana do grupo General Motors) oferece R$ 399.161 em vendas diretas para empresas.
O corte é uma resposta direta à pressão da Toyota SW4 e de SUVs chineses que chegaram ao Brasil nos últimos anos com preços agressivos, como o Haval H9 da GWM (marca chinesa de veículos que vem expandindo operação no país), que custa R$ 339.000 — abaixo até da versão promocional do Trailblazer.
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Quem ganha e quem perde
No papel, o consumidor sai ganhando: um SUV a diesel, 4x4, com motor 2.8 turbodiesel de 207 cv e 52 kgfm de torque, câmbio automático de 8 marchas e porta-malas de até 554 litros (com a terceira fileira de bancos rebaixada) por um preço mais competitivo.
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Na prática, porém, o desconto ainda não resolveu o problema de vendas da Chevrolet. Nos nove primeiros meses de 2026, o Trailblazer vendeu 2.576 unidades, contra 9.917 da Toyota SW4 — quase quatro vezes mais. Em outubro, até o dia 24, o placar seguiu desproporcional: 231 unidades do Trailblazer ante 1.044 da SW4.
Por que a SW4 continua na frente
A Toyota (montadora japonesa) consolidou a SW4 como sinônimo de robustez e revenda forte no segmento de SUVs 4x4 de sete lugares, um fator que pesa tanto quanto o preço na decisão de compra desse público. Cortar o valor do Trailblazer ajuda a atrair olhares, mas não muda de imediato a percepção de marca que levou anos para se formar — nem neutraliza a chegada de chineses com propostas ainda mais baratas, como o próprio Haval H9.
O resultado é um mercado mais apertado para a Chevrolet: para crescer no segmento, a marca precisa competir em preço com os chineses e em reputação com a líder japonesa — duas frentes diferentes, e caras, ao mesmo tempo.