
Chicago cria força-tarefa para regular data centers na cidade
Prefeito Brandon Johnson institui grupo para desenhar regras sobre energia, água e qualidade de vida ligadas a data centers, enquanto propõe moratória de 12 meses para novos projetos.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Enquanto a conta de luz sobe, a cidade tenta travar novos data centers
O morador de Chicago que vê o boom de data centers de inteligência artificial crescer ao redor da cidade agora tem um motivo concreto para acompanhar de perto: o prefeito Brandon Johnson assinou, em agosto de 2026, uma ordem executiva criando revisão regulatória reforçada para data centers e instituindo uma força-tarefa dedicada ao tema. Em setembro, foi além: propôs ao Conselho Municipal uma moratória temporária de 12 meses para a construção de novos data centers e expansões de instalações já existentes.
A Data Center Task Force é copresidida por Angela Tovar, comissária do Departamento de Ambiente e chefe de sustentabilidade da cidade, e por Jung Yoon, chefe de política do próprio prefeito Johnson. Participam também representantes dos departamentos de Construções, Planejamento e Desenvolvimento, Tecnologia e Inovação, e Gestão de Água — ou seja, a cidade está tentando olhar o problema por todos os ângulos de uma vez, não só pelo viés econômico.
O que a força-tarefa precisa resolver
O mandato é claro no papel: desenvolver regras que enfrentem o consumo de energia e água dos data centers, os impactos na qualidade do ar e os efeitos na qualidade de vida dos moradores. Na prática, isso significa rascunhar emendas ao código municipal e propor regras sobre licenciamento, zoneamento, controle de impactos ambientais e exigências de relatório — a base regulatória que hoje, segundo a prefeitura, ainda não existe de forma estruturada.
O grupo tem prazo até 15 de março de 2027 para entregar recomendações e linguagem regulatória ao prefeito, prazo que pode ser estendido por decisão do próprio Johnson. O trabalho não começa do zero: segue recomendações do Chicago's Sustainable Data Centers Working Group, formado em julho de 2026 com especialistas, concessionárias de energia, organizações ambientais e representantes comunitários.
A pergunta que falta responder: quem paga a conta?
Johnson descreveu a moratória como medida temporária para dar tempo à cidade de criar regras mais rígidas, citando preocupações da população com uso de dinheiro público, poluição, consumo de água e aumento nas contas de energia. É esse último ponto que mais interessa a quem vive em Chicago e já sente o preço da eletricidade subir: outras reportagens têm associado o crescimento acelerado de data centers de IA na região ao impacto nas tarifas residenciais.
Enquanto o Conselho Municipal ainda discute a moratória em comissão, uma pergunta permanece sem resposta definitiva: quem efetivamente vai fiscalizar o cumprimento das novas regras depois que a força-tarefa entregar sua proposta — e se o cidadão comum vai pagar, na conta de luz, a infraestrutura que sustenta a inteligência artificial de outras empresas.