
Chicago mostra ao mundo seu primeiro trem urbano a bateria
A Metra, operadora de trens metropolitanos de Chicago, apresentou o primeiro conjunto de trens a bateria da América do Norte, fruto de contrato milionário com a fabricante suíça Stadler. Mas quem vai pagar a conta e quando o passageiro vai realmente embarcar?
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
Chicago acaba de exibir, na conferência da American Public Transportation Association, o que promete ser o primeiro trem urbano movido a bateria da América do Norte. Foi a Metra — a rede de trens metropolitanos que conecta a cidade à sua região — quem apresentou o equipamento, fabricado pela Stadler, empresa suíça especializada em material rodante ferroviário, que vai montar as composições em Salt Lake City.
O que o trem promete entregar
Cada composição tem quatro carros e capacidade para cerca de 200 passageiros, velocidade máxima de 90 mph (cerca de 145 km/h, embora a operação prevista seja a 79 mph, pouco mais de 127 km/h) e autonomia de aproximadamente 50 milhas (80 km) com recarga nas estações terminais — ou seja, sem precisar de catenária ao longo de toda a linha, a infraestrutura mais cara de eletrificar. É a lógica: evitar o custo de fiar quilômetros de trilho e concentrar o investimento nos pontos de recarga.
Foto: reprodução/wbez.org
Quanto custou e quem fiscaliza essa conta
Aqui mora a pergunta que todo contribuinte devia fazer antes de aplaudir qualquer anúncio de trem novo: o pedido-base da Metra junto à Stadler soma 154 milhões de dólares por oito composições, incluindo engenharia, treinamento e peças de reposição — e pode chegar a 234 milhões de dólares com a aquisição de mais composições e vagões extras. Parte da conta é bancada por uma verba federal de 169,3 milhões de dólares do programa de mitigação de congestionamento e qualidade do ar (CMAQ), e o restante virá de um programa estadual de contrapartida. É dinheiro público federal e estadual somado para resolver um problema bem concreto: material rodante velho e caro de manter.
Onde e quando o passageiro vai andar nesse trem
A rota-piloto será o ramal Beverly, na linha Rock Island, entre a estação LaSalle Street e Blue Island — 16,4 milhas (26,4 km) de trajeto. A previsão da Metra é começar a operar comercialmente em 2028. Até lá, o trem segue em fase de testes e demonstração.
Por que isso interessa ao Brasil
Trens a bateria sem precisar eletrificar toda a linha são uma alternativa que já desperta interesse em projetos de modernização ferroviária em várias partes do mundo, exatamente por reduzir o custo de infraestrutura fixa. Para cidades brasileiras que discutem expansão de trens urbanos e metrôs leves, o caso de Chicago é um teste real a ser acompanhado nos próximos dois anos: vale a pena saber se a economia na eletrificação compensa o investimento em baterias e recarga antes de replicar o modelo.