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Smart Cities30 de set. de 2026, 01:32

Chicago transforma 1º prédio de escritório em moradia no Loop

A cidade concluiu a conversão do histórico Rector Building em 117 apartamentos de renda mista no centro financeiro, primeiro projeto do programa LaSalle Street Reimagined. Outras cerca de vinte conversões já estão em andamento no centro da cidade.

Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities

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O primeiro prédio convertido do Loop

Chicago concluiu sua primeira conversão de escritório em moradia no bairro financeiro Loop, no centro da cidade. O prédio Rector Building, erguido em 1905 na 79 W. Monroe Street, virou o residencial Bellwether, com 117 apartamentos de renda mista distribuídos em 11 andares que antes eram espaço de escritório vazio. Do total, 41 unidades são reservadas para famílias com renda média de até 60% da renda mediana da região metropolitana.

O projeto é o primeiro a sair do papel dentro do programa municipal LaSalle Street Reimagined, iniciativa lançada em 2022 para reaproveitar prédios comerciais ociosos no corredor financeiro da LaSalle Street, que prevê seis conversões e a meta de 1.765 unidades habitacionais na região. Segundo o Chicago Sun-Times e o Block Club Chicago, a cidade injetou 28 milhões de dólares em financiamento por incremento fiscal (TIF, mecanismo que usa o aumento futuro da arrecadação de impostos sobre a propriedade para bancar obras no presente) na obra, que também usou 7,8 milhões de dólares em créditos fiscais federais de preservação histórica.

Foto: reprodução/smartcitiesdive.com

Por que a cidade comemora

Ciere Boatright, comissária do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento de Chicago, chamou o Bellwether de "vanguarda" das conversões que estão reimaginando o centro da cidade. Já Gary Stoltz, sócio da incorporadora R2, responsável pela obra, disse que a conclusão do projeto mostra o que é possível quando se olha para os ativos históricos do centro sob nova ótica.

Foto: reprodução/blockclubchicago.org

Além do Bellwether, outras cerca de duas dezenas de conversões privadas estão em andamento no centro de Chicago, com potencial de gerar por volta de 4 mil novas unidades residenciais nos próximos anos.

O que isso diz para quem mora em cidade grande no Brasil

O caso chicaguense interessa de perto quem acompanha o debate sobre esvaziamento de escritórios em centros urbanos depois da pandemia — o mesmo problema que alimenta discussões sobre retrofit de prédios comerciais vazios em regiões centrais de São Paulo e de outras capitais brasileiras. A diferença que salta aos olhos é o desenho do financiamento público: em Chicago, há um programa municipal com nome, meta numérica de unidades e uma fatia significativa de recursos garantida por incentivo fiscal e crédito histórico, tudo isso amarrado a uma cota mínima de unidades de renda mais baixa.

Fica a pergunta que interessa a qualquer cidadão antes de aplaudir a foto de inauguração: quem fiscaliza se as 41 unidades de renda mista realmente vão para quem precisa, e o que acontece se as próximas cinco conversões do programa atrasarem ou estourarem o orçamento.

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