
China acelera plano de levar astronautas à Lua até 2030
Pra escala humana: a China já investe US$ 19 bilhões por ano em espaço e corre contra o tempo pra pousar uma tripulação na Lua antes do fim da década.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana
Em abril de 1970 a China lançou seu primeiro satélite, o Dong Fang Hong 1 — um aparelho do tamanho de uma bola de praia que mal conseguia transmitir uma música pelo rádio. Cinquenta e seis anos depois, o mesmo país opera uma estação espacial própria, a Tiangong, e avança num plano confirmado pela agência espacial chinesa (CNSA) pra colocar astronautas na Lua antes de 2030.
O que está confirmado
O sistema que deve levar a tripulação até lá já tem nome e peças definidas: o foguete Longa Marcha-10, a cápsula Mengzhou ("nave dos sonhos", em tradução livre) e o módulo lunar Lanyue. A cápsula consegue levar até seis astronautas por viagem, o dobro da capacidade da veterana Shenzhou. Um novo voo de teste da Mengzhou está previsto para 2026, levando a espaçonave até a órbita lunar antes da viagem com tripulação.
O que ainda é plano, não missão
A China também integra, junto com a Rússia, o projeto da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), uma instalação científica permanente prevista para a superfície da Lua — mas sem cronograma de conclusão divulgado publicamente. Ou seja: a arquitetura de lançamento está pronta, a base lunar ainda é promessa.
Os números por trás da corrida
Em 2024, a China foi a segunda maior investidora em programas espaciais governamentais do mundo, com US$ 19 bilhões — cerca de US$ 60 bilhões a menos que o orçamento dos Estados Unidos no mesmo período. A diferença, segundo analistas do setor, está menos no tamanho do investimento e mais na previsibilidade dele: o programa chinês opera com planejamento de dez anos e orçamento estável, sem depender de aprovação de verba a cada ciclo eleitoral — uma vantagem que o programa Artemis, da Nasa, não tem.
O que falta confirmar
O que ainda não há é uma data oficial de lançamento da missão tripulada à Lua, nem confirmação de que o módulo Lanyue já passou por testes não tripulados completos — informações que a CNSA ainda não divulgou publicamente.