
China adia lançamento da Chang'e 7 para 2027 em busca de "sucesso absoluto"
Após avaliação de segurança e mau tempo no local de lançamento, a China adiou o pouso lunar mais ambicioso do seu programa espacial, que buscará gelo de água no polo sul da Lua. A missão só deve decolar em 2027.
Por Letícia Prado · Repórter de Ciência
Pra escala humana: um adiamento de meses por causa de nuvens e prudência
Um foguete pronto na plataforma, uma janela de lançamento de poucos dias por mês e uma tempestade tropical no Golfo de Tonquim foram suficientes para empurrar para 2027 uma das missões lunares mais ambiciosas já planejadas. É o que aconteceu com a Chang'e 7, sonda chinesa que iria decolar do Centro de Lançamento Espacial de Wenchang, na ilha de Hainan, dentro da janela programada entre 24 e 31 de agosto de 2026.
O que é confirmado
A Agência Espacial Tripulada da China (CMSA) anunciou, em comunicado, que a "sonda lunar Chang'e-7 não atende às condições de lançamento e não pode ser realizada dentro da janela de lançamento programada este ano". Segundo a agência estatal Xinhua, a decisão seguiu uma "avaliação abrangente" baseada nos princípios de "prudência, confiabilidade e sucesso absoluto da missão" — a frase que dá nome ao adiamento. O Instituto Nacional de Pesquisa Astronômica da Tailândia apontou a Tempestade Tropical Narra, formada no Golfo de Tonquim, como fator de mau tempo que contribuiu para o cancelamento da janela.
A missão é composta por orbitador, módulo de pouso, rover e um pequeno probe saltador ("hopper"), e tem como alvo pousar na borda iluminada da cratera Shackleton, próxima ao polo sul lunar — região de crateras permanentemente sombreadas que, segundo cientistas, podem preservar gelo de água há bilhões de anos sem luz solar direta. Por depender de um alinhamento solar específico sobre a cratera-alvo, a janela de lançamento é estreita: perder os dias de agosto significa esperar o próximo alinhamento, que só deve viabilizar um novo lançamento em 2027.
A Chang'e-7 é a sétima missão do programa lunar chinês Chang'e. A antecessora, Chang'e-6, trouxe à Terra amostras de rocha e solo da face oculta da Lua em 2024 — a primeira coleta desse tipo na história.
O que ainda é hipótese
Nem a CMSA nem a Xinhua detalharam publicamente qual problema técnico específico levou à reavaliação de segurança, além de citar as condições meteorológicas. Também não há confirmação oficial de data exata para o novo lançamento em 2027, nem detalhes sobre eventuais ajustes na sonda ou no veículo lançador durante o intervalo. A relação direta entre esse adiamento e outros marcos do programa lunar chinês — como a missão Chang'e-8 e os planos de pouso tripulado na Lua até 2030 — não foi mencionada nos comunicados oficiais consultados até o momento.
Por ora, o que se sabe com segurança é isto: o hardware está pronto, a ciência seguirá a mesma, mas o céu — literal e figurativamente — ainda não deu sinal verde.