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Ciência27 de out. de 2026, 17:37

China bate recorde mundial de velocidade em fibra óptica: 3,2 Pb/s

Equipe chinesa transmitiu dados a 3,2 petabits por segundo em cabo de 24 núcleos, batendo o próprio recorde estabelecido meses antes. A marca equivale a baixar mais de 20 mil filmes em 4K em um segundo.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana

Um filme em 4K leva, em uma conexão doméstica comum, minutos para baixar. No novo recorde chinês de transmissão por fibra óptica, mais de 20 mil filmes em 4K seriam transferidos em um único segundo — o equivalente a abastecer simultaneamente cerca de 3,2 milhões de casas conectadas a 1 Gigabit por segundo.

O que foi confirmado

Foto: reprodução/tomshardware.com

Uma equipe de pesquisa chinesa atingiu 3,2 petabits por segundo (Pb/s) em um teste de transmissão bidirecional e em tempo real por fibra óptica, segundo informações divulgadas e replicadas por veículos como Tom's Hardware e Notebookcheck, que cruzaram os dados do anúncio chinês. O resultado representa um salto de cerca de 30% sobre o recorde anterior do mesmo grupo, de 2,5 Pb/s, alcançado ainda em março deste ano.

O teste usou um cabo de fibra óptica com 24 núcleos — tecnologia de divisão espacial que multiplica canais dentro de um único cabo físico — percorrendo cerca de 10,3 km. Para chegar à marca, os pesquisadores combinaram três bandas distintas de comprimento de onda de luz (identificadas como S, C e L) com a técnica de multiplexação por divisão espacial, criando milhares de canais de transmissão paralelos dentro do mesmo cabo.

O trabalho é fruto de colaboração entre instituições chinesas de telecomunicações, incluindo o National Key Laboratory of Optical Communication Technology — laboratório estatal chinês dedicado a pesquisa em comunicação óptica —, o Pengcheng Laboratory e a fabricante de cabos Fiberhome Fujikura Fiber Optic Technology.

Foto: reprodução/notebookcheck.net

O que ainda é limitado

O diferencial do feito chinês é ter usado hardware comercialmente compatível, não equipamento experimental de laboratório. Ainda assim, a tecnologia não está pronta para uso comercial: o teste ocorreu em escala controlada, em um trecho curto de poucos quilômetros, distante da infraestrutura real de redes de longa distância.

Vale notar que recordes puramente acadêmicos, obtidos em condições de laboratório com processamento de sinal mais sofisticado, já superam esse número — há relatos de até 5,29 Pb/s em fibras de 24 núcleos semelhantes. A diferença é que esses resultados dependem de equipamentos que ainda não existem fora do ambiente de pesquisa.

Por que isso importa

A corrida por mais capacidade em fibra óptica está diretamente ligada à demanda crescente de data centers de inteligência artificial e serviços em nuvem, que pressionam a infraestrutura de rede global por mais banda. Avanços como esse apontam para o caminho que a próxima geração de backbones de internet deve seguir — ainda que a adoção comercial de cabos multinúcleo como esse leve anos para se consolidar.

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