tech & talk
Ciência03 de nov. de 2026, 08:55

China detalha plano de pousar na Lua antes de 2030, sem teste tripulado prévio

A agência espacial tripulada da China revelou quatro missões que devem culminar no primeiro pouso lunar do país, com astronautas pisando no solo lunar antes de 2030. Diferente dos EUA, o plano não prevê um voo tripulado de teste orbitando a Lua antes da descida.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

Compartilhar

Pra escala humana

Imagina planejar uma viagem de ida e volta à Lua levando quase quatro anos só de testes — e decidir que, na primeira vez que humanos entrarem na espaçonave, eles já vão direto pousar no solo lunar, sem um "ensaio" orbitando a Lua antes. É basicamente o que a China acabou de anunciar.

No último fim de semana de outubro, durante o 7º Simpósio do Voo Espacial Tripulado, em Pequim, Wang Xiang — vice-planejador-chefe do programa espacial tripulado chinês — apresentou o cronograma mais detalhado já divulgado publicamente para o primeiro pouso de taikonautas (como são chamados os astronautas chineses) na Lua, com meta para antes de 2030.

O que é plano confirmado

Segundo o anúncio oficial, retomado por veículos como o China Daily, ligado ao governo chinês, e a Ars Technica, a missão terá quatro etapas: início de 2027, voo não tripulado de teste da espaçonave Mengzhou (equivalente chinesa à cápsula de tripulação) em órbita baixa da Terra, usando o novo foguete Long March 10A, uma versão mais simples do foguete lunar chinês; em 2028, teste não tripulado do foguete Long March 10 completo junto com o módulo lunar Lanyue, incluindo descida e subida simuladas na superfície da Lua; em 2029, dois lançamentos do Long March 10 colocam, sem tripulação, a Mengzhou e a Lanyue em órbita lunar, onde as duas naves vão se encontrar e se acoplar; e, antes de 2030, a missão tripulada propriamente dita, também com dois lançamentos do Long March 10.

Na missão final, três taikonautas decolam a bordo da Mengzhou; dois deles migram para o módulo Lanyue e descem à superfície lunar, enquanto o terceiro permanece em órbita. Depois da caminhada lunar — que deve incluir o uso de um rover —, a dupla retorna à órbita, reencontra a Mengzhou e volta à Terra. A abordagem é um "encontro em órbita lunar", parecida com a usada pela Apollo americana nos anos 1960-70, necessária porque a China ainda não tem um foguete tão potente quanto o Saturn V ou o SLS da NASA.

O que ainda é incerto ou chama atenção

Um ponto que a própria Ars Technica destacou: o plano chinês não inclui uma missão parecida com a Apollo 8 (1968) ou a Artemis II da NASA — ou seja, não há um voo tripulado de teste orbitando a Lua antes da tentativa de pousar. Todas as validações com risco de vida ficam concentradas em voos não tripulados; a primeira vez que astronautas chineses sobrevoarão a Lua será já na missão de pouso.

Também vale lembrar que cronogramas espaciais mudam com frequência — tanto o da China quanto o da própria Artemis americana, hoje mirando um pouso tripulado em 2028, já sofreram atrasos no passado. Datas de "antes de 2030" são metas, não garantias.

Por que isso importa

Se os prazos se confirmarem, China e Estados Unidos podem colocar astronautas na Lua com apenas um ou dois anos de diferença — reabrindo, décadas depois da Apollo, uma disputa simbólica pela superfície lunar.

chinaexploração lunarlong march 10corrida espacialartemis
Compartilhar