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Mercado31 de ago. de 2026, 20:57

China domina 97% dos robôs humanoides no mundo e dispara à frente dos EUA

Fabricantes chineses embarcaram 97% de todos os robôs humanoides vendidos no mundo no primeiro semestre de 2026, enquanto a Unitree estreou na bolsa com alta de 460% e os EUA somam menos de 4 mil unidades no período.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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97% do mercado mundial está em mãos chinesas

No primeiro semestre de 2026, fabricantes chineses despacharam cerca de 18.500 das 19.100 unidades de robôs humanoides vendidas no planeta — uma fatia de 97% do mercado global, segundo levantamento da consultoria Omdia citado por Bloomberg e TechNode. O volume é mais que o triplo das 5.100 unidades embarcadas no mesmo período de 2025, e a projeção é fechar o ano em torno de 60 mil robôs, a caminho de meio milhão até 2030.

Os Estados Unidos, principal concorrente no discurso político e tecnológico, ficaram com pouco mais de 4 mil unidades no período — a soma de tudo que Tesla, Figure AI e Agility Robotics conseguiram colocar em operação.

Quem lidera dentro da China

Duas empresas concentram a corrida chinesa. A Agibot, de Xangai, despachou cerca de 8.400 robôs e ficou com 44% do mercado global; a Unitree vem em segundo, com 31% e por volta de 5.900 unidades. Juntas, as duas devem responder por quase 80% dos embarques chineses neste ano, segundo a consultoria TrendForce.

O mercado já colocou preço nessa disputa: a Unitree estreou na bolsa de Xangai em agosto avaliada em US$ 9 bilhões e disparou 460% no primeiro pregão, elevando seu valor de mercado a US$ 66 bilhões. A Agibot corre atrás de um IPO em Hong Kong, com estimativas de valuation entre US$ 5,1 bilhões e US$ 19,9 bilhões.

O Vale do Silício aposta em software, não em volume

Do lado americano, a estratégia é outra: apostar em inteligência artificial e verticalização em vez de escala imediata. A Tesla eleva metas de produção do Optimus, mas até agora não vendeu uma única unidade fora de suas próprias fábricas — e o próprio Elon Musk admitiu, em teleconferência de resultados no início do ano, que o robô ainda não é usado "de forma material" nas linhas da empresa. Figure AI e Agility Robotics têm clientes pagantes e dados reais de operação, mas em volume que ainda é uma fração do chinês.

O símbolo da corrida: o Games de Pequim

A distância ficou visível nos World Humanoid Robot Games, a segunda edição da "olimpíada de robôs" realizada em 21 de agosto na pista de patinação de velocidade de Pequim. Um humanoide batizado Lightning, da fabricante de celulares Honor, cruzou a linha de chegada dos 100 metros em 9,32 segundos — mais rápido que o recorde mundial humano de Usain Bolt (9,58s). O evento reuniu equipes e robôs de dezesseis países, incluindo os EUA, mas a vitrine de tecnologia e investimento seguiu concentrada do lado chinês.

O recado para o mercado é direto: enquanto empresas americanas discutem inteligência artificial incorporada e cadeias de suprimento verticalizadas, a China já transformou humanoides em produto de prateleira, com preço, escala e liquidez em bolsa.

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