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Ciência21 de ago. de 2026, 14:22

China lança em 24/8 a Chang'e-7, sua missão lunar mais ambiciosa

Sonda leva orbitador, módulo de pouso, rover e veículo saltador rumo à cratera Shackleton, no polo sul da Lua, para caçar gelo de água. Missão carrega instrumentos de Rússia, Itália, EUA e outros países.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Pra escala humana: imagine mandar, numa única viagem, um satélite, um pouso, um carrinho robótico e um "gafanhoto" mecânico capaz de pular sozinho para dentro de crateras onde o sol nunca chega — tudo isso na mesma missão. É basicamente o que a China está prestes a fazer.

O que está confirmado

A sonda Chang'e-7 tem lançamento previsto para 24 de agosto de 2026 (horário de Pequim), a bordo de um foguete Long March 5 Y14, decolando do Centro de Lançamento de Satélites de Wenchang. A missão é composta por quatro elementos: um orbitador, um módulo de pouso, um rover e um veículo saltador — este último projetado para saltar entre áreas iluminadas e o interior de crateras permanentemente sombreadas, que nenhum rover consegue alcançar rodando.

Foto: reprodução/space.com

O alvo é a região próxima à borda da cratera Shackleton, no polo sul lunar — um dos pontos mais cobiçados da Lua justamente por abrigar áreas com iluminação solar quase constante ao lado de crateras eternamente escuras, onde cientistas suspeitam que haja gelo de água preservado. Segundo o cronograma divulgado, o orbitador deve passar meses girando ao redor da Lua antes de liberar o módulo de pouso, com a tentativa de descida prevista para o fim de 2026.

A missão carrega ainda instrumentos científicos de cooperação internacional: um detector de poeira lunar da Rússia, um retrorrefletor a laser da Itália, uma carga científica dos Estados Unidos, um telescópio óptico de campo amplo ligado a Hong Kong e Havaí, uma câmera hiperespectral com participação de Bahrein e Egito, um hodoscópio de partículas da Tailândia e um espectrômetro de radiação da Suíça.

O que é plano ou hipótese

A confirmação de gelo de água na região ainda é o objetivo da missão, não um resultado — é isso que os instrumentos vão investigar. A Chang'e-7 também serve para testar tecnologias de navegação por imagens de referência, pensando num pouso tripulado chinês que a agência espacial do país projeta para 2030. Uma missão seguinte, a Chang'e-8, prevista para cerca de 2028, teria a tarefa de testar construção com solo lunar — ambas peças de um plano maior para erguer a Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS) chinesa, ainda em fase de montagem no papel.

Um cientista lunar da Universidade Brown, citado em cobertura internacional do lançamento, chamou a Chang'e-7 de "a missão lunar robótica mais ambiciosa, abrangente e complexa já tentada por qualquer nação ou entidade" — uma avaliação, não um fato mensurável, mas que dá a régua do tamanho da aposta chinesa nesta década lunar.

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