
China ordena maior recall automotivo da história por causa de maçanetas
Cerca de 4,3 milhões de veículos foram convocados para recall na China depois que maçanetas elétricas e embutidas dificultaram a fuga de ocupantes após acidentes. Tesla lidera a lista, com quase 3 milhões de carros afetados.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
4,3 milhões de veículos. Esse é o tamanho do maior recall automotivo já registrado na China, decretado pela Administração Estatal para Regulação de Mercado do país depois que maçanetas elétricas e retráteis se mostraram um risco real em situações de emergência: socorristas e ocupantes tiveram dificuldade para localizar e acionar as aberturas mecânicas de reserva após acidentes.
A Tesla concentra a maior fatia da conta, com cerca de 2,98 milhões de unidades convocadas — entre Model 3, Model Y, Model X e Model S, fabricados na China ou importados. Atrás dela aparece uma fila extensa de montadoras locais: Xiaomi (390.435 unidades do SU7), Leapmotor (cerca de 371.200 dos modelos C01 e C11), além de Geely, Zeekr, Chery, Xpeng, Dongfeng, Beijing Automotive, First Auto Works e Lynk & Co, também citadas nas convocações.
O problema por trás do design
Foto: reprodução/cleantechnica.com
O detalhe técnico é aparentemente pequeno, mas caro: maçanetas embutidas e acionamentos elétricos, tendência estética puxada por modelos como os da própria Tesla, esconderam demais as travas de emergência. Em casos de pane elétrica ou colisão — justamente quando a trava mecânica de reserva precisa funcionar — o mecanismo ficava pouco visível ou de acesso pouco intuitivo, atrasando o resgate de ocupantes presos dentro do veículo.
A régua que muda o setor
A resposta regulatória veio do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação da China (MIIT), que em fevereiro se tornou o primeiro país a proibir maçanetas externas totalmente retráteis ou ocultas. A partir de 1º de janeiro de 2027, todo modelo novo aprovado no país precisará ter abertura mecânica na maçaneta externa, com o acionamento interno de emergência claramente visível e posicionado a no máximo 30 centímetros da borda da porta. Modelos já em produção ganham prazo mais longo, até 2029, para se adaptar.
Quem perde e quem ganha
No curto prazo, quem perde é o caixa das montadoras: recall em escala de milhões custa caro, e a Tesla — que ajudou a popularizar as maçanetas retráteis como assinatura de design — é quem paga a conta mais alta. Fabricantes chinesas como Xiaomi e Leapmotor, ainda consolidando reputação de segurança em um mercado que cresce rápido, também têm o desafio de administrar a percepção pública em cima da própria estreia.
Quem ganha é o consumidor chinês, que passa a ter uma trava de emergência padronizada e visível em qualquer carro novo — e, por tabela, o resto do mundo, já que a medida chinesa tende a pressionar reguladores de outros mercados a rever normas semelhantes para o design cada vez mais frequente de maçanetas escondidas.