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Segurança19 de ago. de 2026, 13:01Atualizada em 19 de ago. de 2026, 13:38

China ordena saída do Windows 10 de órgãos do governo antes do prazo

O Ministério de Segurança do Estado da China mandou desinstalar a versão especial do Windows 10 feita para o governo, antecipando em meses uma aposentadoria já prevista para 2027. A Microsoft diz não haver incidente de segurança conhecido.

Por Denise Sampaio · Repórter de Segurança

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O que aconteceu

O Ministério de Segurança do Estado da China determinou que algumas organizações estatais desinstalem a chamada China Government Edition, uma versão do Windows 10 feita sob medida para órgãos públicos chineses. A ordem antecipa em vários meses uma aposentadoria que já estava marcada para fevereiro de 2027, segundo reportagem da Bloomberg replicada por veículos como Tom's Hardware e TechSpot.

Essa edição especial nasceu em 2017, fruto de uma joint venture da Microsoft com a estatal China Electronics Technology Group (CETC), batizada de C&M Information Technologies (CMIT), na qual o sócio chinês detém participação majoritária. O sistema é baseado no Windows 10 Enterprise, mas remove componentes como o OneDrive, mantém atualizações e ativação de licença em infraestrutura dentro da China e permite trocar a criptografia padrão da Microsoft por algoritmos chineses. Desde que a Microsoft encerrou o suporte global ao Windows 10 em outubro de 2025, essa era a única versão do sistema ainda oficialmente aprovada para uso do governo chinês — e agora também está sendo descartada.

Foto: reprodução/techspot.com

Pequim atribuiu a decisão a preocupações com segurança de dados, mas não detalhou quais vulnerabilidades motivaram a antecipação. A Microsoft, por sua vez, afirmou não ter conhecimento de nenhum incidente de segurança envolvendo o produto e disse que ele continuava recebendo atualizações regulares, sem dar mais detalhes. O episódio se encaixa em um movimento mais amplo de afastamento tecnológico da China em relação a fornecedores dos EUA: Pequim já havia banido o Windows 8 de compras governamentais em 2014, lançado em 2019 um programa de três anos para substituir PCs estrangeiros em repartições públicas e, em 2022, ordenado que agências centrais e estatais eliminassem computadores de marcas estrangeiras. No lugar do Windows, o governo chinês está migrando máquinas para sistemas nacionais como o Kylin OS (baseado em FreeBSD) e o Unity Operating System (UOS, construído sobre o Deepin).

Quem é afetado

A medida atinge diretamente funcionários públicos chineses e empresas estatais ligadas a infraestrutura crítica que ainda operavam a edição governamental do Windows 10. Reportagens não especificam o número exato de agências ou máquinas envolvidas, nem um mecanismo formal de fiscalização do cumprimento da ordem. Para usuários e empresas fora da China, o episódio não representa risco direto, mas reforça a tendência de fragmentação tecnológica entre blocos geopolíticos, com efeitos sobre cadeias de fornecimento de software e hardware.

O que fazer agora

  • Empresas brasileiras com filiais ou operações na China devem mapear se dependem de infraestrutura ligada a órgãos públicos chineses e acompanhar prazos de migração.
  • Times de TI que ainda rodam Windows 10 em qualquer versão devem lembrar que o suporte mainstream já terminou em outubro de 2025 — migrar para versões suportadas reduz exposição a falhas não corrigidas.
  • Não há ação recomendada para usuários comuns no Brasil: a mudança é restrita a sistemas governamentais chineses e não afeta o Windows 10 comercial usado no país.
  • Vale acompanhar como fornecedores de tecnologia reagem a essa onda de "desglobalização" de software, já que decisões semelhantes podem se espalhar para outros setores regulados.
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