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MercadoIA29 de set. de 2026, 10:58

China pode liberar ByteDance e Alibaba a comprar chips banidos da Nvidia

Pequim avalia permitir que ByteDance e Alibaba, gigantes chinesas de tecnologia, comprem chips de IA da Nvidia hoje vetados internamente, num momento em que a influência de Jensen Huang sobre Donald Trump preocupa especialistas em política comercial.

Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado

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Zero é o número que a Nvidia queria enterrar

Zero por cento. Foi a que caiu a fatia da Nvidia no mercado chinês de aceleradores de IA, segundo o próprio CEO Jensen Huang — uma queda livre a partir dos 95% que a empresa dominava antes das sucessivas rodadas de restrições à exportação impostas por Washington. Agora, esse quadro pode começar a se inverter: segundo a Bloomberg, a China avalia permitir que Alibaba, gigante chinesa de comércio eletrônico e computação em nuvem, e ByteDance, controladora do TikTok, voltem a comprar chips da Nvidia atualmente proibidos internamente por Pequim, como a linha RTX Pro 5500 e o H200.

O múltiplo geopolítico por trás da liberação

A eventual guinada chinesa acontece num contexto de degelo comercial: o Departamento de Comércio dos EUA já havia autorizado cerca de dez empresas chinesas — incluindo Alibaba, Tencent e a própria ByteDance — a comprar o chip H200 da Nvidia, com limite de 75 mil unidades por cliente. Na prática, porém, pouco saiu do papel: as aprovações vieram carregadas de condições que compradores classificaram como restritivas demais, e nenhuma entrega efetiva de chips ocorreu até agora, travada também por novas regras chinesas de cadeia de suprimentos.

Jensen Huang, o lobista mais valioso da Nvidia

Para analistas de política comercial, o fio condutor por trás do possível afrouxamento é a proximidade cada vez maior entre Jensen Huang e Donald Trump. O CEO da Nvidia já acompanhou o presidente em viagem oficial à China em maio, e uma reversão anterior de restrições ao chip H20 só veio depois de um jantar reservado entre os dois em Mar-a-Lago — episódio que fez as ações da Nvidia dispararem quase 19% em um único pregão. A repetição do padrão acende um sinal amarelo: especialistas ouvidos por veículos americanos questionam até que ponto decisões de segurança nacional sobre semicondutores estão sendo moldadas por relação pessoal e lobby direto de um único executivo, ainda que bilionário e à frente da empresa mais valiosa do setor de IA.

Quem ganha, quem perde

Se a liberação avançar, a Nvidia recupera fatia de um mercado que já valeu entre 20% e 25% da receita de data center da empresa. Alibaba e ByteDance ganham acesso a hardware mais avançado para treinar seus modelos de IA. Quem sai perdendo, ao menos no discurso, é o argumento de segurança nacional que justificou o veto original — e a credibilidade de um processo regulatório que parece cada vez mais suscetível a relações pessoais no topo do governo americano.

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