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Ciência19 de ago. de 2026, 10:42Atualizada em 19 de ago. de 2026, 19:00

China já tem seu foquete que dá ré

A empresa privada chinesa LandSpace pousou verticalmente o primeiro estágio do foguete Zhuque-3 após ele cumprir uma missão orbital, feito inédito para um lançador comercial chinês.

Por Letícia Prado · Repórter de Ciência

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Imagine um prédio de mais de 20 andares — o Zhuque-3 tem 66,1 metros de comprimento — descendo sozinho do espaço, desacelerando com os próprios motores e pousando de pé, parado, sobre quatro pernas, a centenas de quilômetros do ponto de onde decolou. Foi isso que a empresa chinesa LandSpace confirmou ter feito.

O que é confirmado

Foto: reprodução/olhardigital.com.br

No dia 19 de agosto de 2026, às 7h35 (horário de Pequim), o foguete Zhuque-3 (Y2), da companhia espacial privada chinesa LandSpace, decolou da Zona de Testes de Inovação Espacial Comercial de Dongfeng, dentro do Centro de Lançamento de Satélites de Jiuquan. O segundo estágio colocou em órbita o satélite Honghu-3, desenvolvido pela empresa Hongqing Technology.

Minutos depois, por volta das 7h41, o primeiro estágio do foguete realizou uma descida controlada e pousou na vertical no Sítio de Pouso nº1 da LandSpace, no condado de Minqin, província de Gansu — a aproximadamente 390 km do local de lançamento. Segundo a empresa, o pouso ficou a cerca de 2,4 metros do ponto planejado.

O Zhuque-3 tem estrutura majoritariamente em aço inoxidável, dois estágios e é movido a metano e oxigênio líquidos. O primeiro estágio usa nove motores Tianque-12A e o foguete tem capacidade para levar até 18,3 toneladas à órbita baixa da Terra.

Essa foi a primeira vez que um foguete orbital-classe chinês recupera com sucesso o primeiro estágio em solo, usando pernas de pouso. Em dezembro de 2025, na estreia do Zhuque-3, o lançamento havia alcançado a órbita, mas a tentativa de recuperação terminou em explosão perto do local previsto de pouso.

Foto: reprodução/spacenews.com

Com o pouso confirmado, a LandSpace se torna a quarta entidade do mundo — depois de SpaceX, Blue Origin e a estatal chinesa CASC — a recuperar um veículo de lançamento orbital.

O que ainda é hipótese

A LandSpace já sinalizou publicamente a intenção de repetir o teste de recuperação em novos voos ao longo de 2026, mas a empresa não detalhou datas de futuras missões nem confirmou quando o Zhuque-3 fará sua primeira reutilização efetiva de um estágio já pousado — isso ainda não aconteceu e permanece como próximo passo do programa, não como fato consumado.

Por que importa

O pouso vertical em terra firme, após cumprir uma missão orbital completa, é a etapa que faltava para a LandSpace se aproximar do modelo de reaproveitamento popularizado pela SpaceX com o Falcon 9. Ainda não há confirmação de quando esse mesmo estágio será reutilizado em outro voo.


Atualização (19/08, 19:00): Após o pouso bem-sucedido do primeiro estágio do foguete Zhuque-3 Y2 em solo, a LandSpace afirmou que a missão "lança uma base sólida para as próximas fases de recuperação, manutenção, reutilização e aplicações comerciais" do veículo. A empresa mira agora a fase de "verificação de reuso em escala de engenharia": a meta declarada é que cada booster recuperado sirva para até 20 voos, com a primeira reutilização do estágio prevista para o quarto trimestre de 2026.

O pouso, realizado em 19 de agosto no Local de Pouso nº1 da LandSpace, no condado de Minqin, província de Gansu, fez da companhia a terceira do mundo — atrás apenas de SpaceX e Blue Origin — a recuperar em solo um estágio de foguete de classe orbital. O segundo estágio da missão colocou o satélite Honghu-03 em órbita.

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