
Chinesas colam no top 5 de SUVs e mostram força em agosto no Brasil
BYD Song e GWM Haval H6 ocuparam a 4ª e a 5ª posição entre os SUVs mais vendidos do Brasil em agosto, enquanto marcas chinesas menores aparecem logo atrás do top 10 de picapes. Os líderes de vendas seguem sendo VW, Fiat e Hyundai, mas o avanço chinês já pressiona o mercado.
Por Otávio Meireles · Repórter de Mercado
6.724 e 6.433: os números que colocam duas chinesas no top 5
Em agosto, a BYD Song vendeu 6.724 unidades e ficou em 4º lugar entre os SUVs mais emplacados do Brasil, logo atrás do pódio ocupado por VW Tera (10.338), Hyundai Creta (7.354) e VW T-Cross (6.815). Na 5ª posição veio a Haval H6, da GWM (Great Wall Motors, uma das maiores fabricantes de SUVs e picapes da China e que já opera fábrica própria em Iracemápolis, SP), com 6.433 unidades — alta de 13,4% sobre julho. Juntas, as duas chinesas somaram 13.157 emplacamentos no mês, mais do que o líder da categoria isolado.
Onde está o efeito chinês, e onde ele ainda não chegou
Foto: reprodução/car.blog.br
O avanço não se limita ao top 5. A Tiggo 5X, da Caoa Chery (joint venture entre a chinesa Chery e o grupo brasileiro Caoa, que monta os carros da marca no país), aparece na 12ª posição do ranking de SUVs, e o Omoda 5, da O&J, na 13ª. É um recorte que mostra pulverização: não é uma marca só ganhando mercado, é um bloco de fabricantes chinesas ocupando faixas de preço e porte diferentes ao mesmo tempo.
Já entre as picapes, a história muda de figura. O pódio é dominado por marcas tradicionais — Strada (Fiat, 13.798), Toro (Fiat, 5.707) e Saveiro (VW, 5.295) — e as chinesas ficam de fora do top 10: GWM Poer em 12º, BYD Shark em 20º e JAC Hunter em 21º. O segmento de picapes, historicamente mais fiel a marcas estabelecidas e dependente de rede de assistência técnica robusta, ainda resiste à entrada chinesa que já se consolidou nos SUVs.
Quem ganha e quem perde com a movimentação
O principal recado de agosto é que a disputa pelo 4º e 5º lugares do ranking de SUVs — faixa que antes pertencia a modelos como Tracker (Chevrolet, 5.326) e Fastback (Fiat, 5.133) — já não é mais só entre marcas ocidentais. BYD e GWM empurraram concorrentes tradicionais para baixo na tabela, e a chegada da produção local da GWM em Iracemápolis tende a acelerar ainda mais essa disputa nos próximos meses, com potencial de preços mais competitivos e menor dependência de importação. Para montadoras como Chevrolet, Fiat e Jeep, o desafio agora é defender posições que já não são garantidas — o mercado brasileiro de SUVs, o segmento mais aquecido do setor automotivo, se tornou também o mais disputado pelas chinesas.