
Cidades dos EUA endurecem regras contra robotáxis em 2026
Nova York, Washington D.C. e Califórnia impõem limites e multas a Waymo, Zoox e Tesla, numa onda de resistência política aos carros autônomos.
Por Camila Furtado · Repórter de Smart Cities
A virada de humor das cidades
Em menos de um ano, prefeitos e parlamentares americanos que flertavam com os robotáxis mudaram de discurso. Em outubro de 2026, Nova York, Washington D.C. e Califórnia apertaram, cada uma a seu modo, as regras para carros autônomos sem motorista.
Quatro cidades, quatro respostas diferentes
Em Nova York, a governadora Kathy Hochul recuou de um plano que liberaria robotáxis fora da capital depois que sindicatos de taxistas pressionaram o governo estadual — o carro autônomo, aqui, perdeu pra categoria organizada.
Em Washington D.C., parlamentares discutem um teto de 200 veículos autônomos operando ao mesmo tempo, mais uma taxa de 15 centavos de dólar por milha rodada. Quem paga essa taxa — a empresa ou o passageiro no preço da corrida — ainda não está definido.
Na Califórnia, desde julho a polícia pode multar diretamente as empresas donas dos carros por infrações de trânsito, sem precisar identificar um motorista responsável. O estado também exige licenças específicas da CPUC, órgão regulador de serviços públicos, e do DMV, o departamento de trânsito, pra qualquer operação sem motorista.
Em São Francisco, o prefeito — que já foi defensor do carro autônomo — agora quer regras mais duras depois que robotáxis bloquearam a passagem de viaturas e ambulâncias mais de uma vez.
Quem está no banco dos réus
A pressão cai sobre a Waymo, braço de carros autônomos do Google e atual líder do setor nos EUA, a Zoox, startup de robotáxis comprada pela Amazon que já opera em Las Vegas, e a Tesla, que roda corridas autônomas em cidades como Austin, Dallas e Miami.
O que o passageiro e o pedestre ganham com isso
Pra quem mora nessas cidades, a pergunta prática é outra: essas regras tornam a rua mais segura ou só empurram o robotáxi pra fora do mapa, sem resolver o problema de fundo? Nenhuma das quatro cidades publicou, até agora, um relatório independente medindo acidentes ou bloqueios causados por carros autônomos antes e depois das novas regras — o que fiscaliza, hoje, é basicamente a reação a cada incidente que vira notícia.
O que vem a seguir
Falta saber se outras cidades americanas vão copiar o modelo de teto e taxa por milha de Washington, e se o Brasil — onde testes de carro autônomo ainda são pontuais — vai discutir regras antes ou depois de empresas como Waymo e Tesla tentarem operar aqui.